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Ligando os pontos

Textos de Marcos de Vasconcellos, jornalista, CEO do Monitor do Mercado, colunista da Folha de S.Paulo e assessor de investimentos.

Como o tombo na indústria e no comércio não derrubou a Bolsa?

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Quem olha, desprevenido, para o gráfico do Ibovespa, principal indicador da nossa Bolsa de Valores, pode acreditar que o Brasil decolou.

Longe do susto do início da pandemia, com uma taxa de vacinação crescente e o número de internações e mortes por Covid-19 caindo (felizmente), o índice está na casa dos 107,6 mil pontos, 5,3% acima da pontuação que tinha um ano atrás.

Parece óbvio que os investidores estejam otimistas com o distanciamento dos dias mais trágicos da pandemia. Alguns municípios, inclusive, já estão permitindo a circulação sem máscaras.

Mas tudo que parece óbvio deve ser encarado com desconfiança. E quem for além das impressões pessoais, poderá encontrar uma dura realidade que o Ibovespa disfarça.

A produção da indústria brasileira caiu em 11 dos 15 locais pesquisados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), na comparação entre setembro deste ano e o mesmo mês de 2020.

Os recuos mais intensos foram na Região Nordeste (-13,7%), Amazonas (-13,5%), Bahia (-13,3%) e Ceará (-12,3%), de acordo com a Pesquisa Industrial Mensal - Produção Física Regional.

As vendas do varejo, por sua vez, registraram também queda, de setembro de 2020 a setembro de 2021, também segundo o IBGE. Trata-se de uma considerável redução, de 4,1% quando consideramos também a venda de veículos e de materiais de construção. Sem esses itens, no chamado varejo restrito, o tombo foi de 5,4%.

Enquanto a economia real bate à porta com o pires na mão, a Bolsa dá pulinhos de alegria com o acordo entre o governo federal e o chamado “centrão” para furar o teto de gastos, aprovando a famigerada Proposta de Emenda à Constituição (PEC).

Aqui, cumpre dizer, a explicação é que os grandes players avaliaram que aprovar a PEC era menos ruim do que manter a queda de braço por mais tempo. No mercado financeiro, a incerteza é o alimento da perda.

Outro suspiro de alegria, que empurrou o Ibovespa para cima nesta semana, veio da capital paulista. O mercado de varejo paulistano apresentou uma alta de 15,2% em outubro em comparação com setembro, atingindo, finalmente, o nível pré-pandemia. Investidores apontaram o dado como base para otimismo, ainda que os dados do IBGE mostrem o Brasil, como um todo, em outro compasso.

O descompasso entre a economia real e os números da Bolsa não é novidade, mas sempre gera desconforto a quem busca racionalidade na mão invisível do mercado.

A verdade é que a insegurança e a incerteza têm reinado na Bolsa nos últimos dias. Como exemplo, cumpre citar que, entre 5 e 10 de novembro, o Ibovespa subiu um pouco mais de 2%. O número de apostas na queda do índice (refletido pela quantidade de aluguéis do papel BOVA11), no mesmo período, subiu 57%.

Nessas horas, é bom lembrar do ícone dos investimentos, o multibilionário Warren Buffet: opere dentro de suas próprias limitações, ou como ele chama, de seu círculo de competência. Só invista no que você entende. E deixe as emoções de fora da sua tomada de decisão.

A divulgação de balanços trimestrais, feitas nos últimos dias, tem dado um retrato mais fiel das perspectivas das empresas para os próximos meses. É interessante ver como ações de gigantes do varejo, como a Via (VIIA3), dona das Casas Bahia, e Magazine Luiza (MGLU3) despencaram quando o mercado olhou seus números mais frescos.

*Marcos de Vasconcellos é jornalista e assessor de investimentos. CEO do Monitor do Mercado, escreve às sextas-feiras na Folha de S.Paulo, sobre investimentos.

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