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Ligando os pontos

Textos de Marcos de Vasconcellos, jornalista, CEO do Monitor do Mercado, colunista da Folha de S.Paulo e assessor de investimentos.

Crise dos chips é ponto de partida para novos investimentos

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Se você estiver lendo esse texto pelo seu computador, celular ou tablet, tenha certeza de que isso só foi possível graças à indústria dos semicondutores. Nada mais são do que os chips, que tomaram conta do dia a dia bem antes de vivermos a rotina dos Jetsons.

Pois coube a ela também gerar a crise que afeta as indústrias de tecnologia e automotiva e, em efeito dominó, todo o mercado.

A realidade nua é que tem menos chips na praça do que as empresas precisariam para produzir os novos automóveis, celulares e todo o resto. Recentemente, duas grandes fábricas no Japão pegaram fogo, diminuindo ainda mais a oferta.

O aço é moldado, os bancos forrados, mas os carros não conseguem sair da fábrica por falta dos equipamentos eletrônicos.

Fosse há alguns anos, bastaria não colocar o rádio como item de fábrica, pois os vidros ainda poderiam ser movimentados por manivelas e o maquinário seria daqueles que permitiria aos entendidos compreender os defeitos com uma espiadela sob o capô. Hoje, no entanto, para consertar um carro é preciso conhecer de programação.

Em breve, a demanda por chips será ainda maior. Em 2035, pelo menos 1,3 milhão dos veículos novos serão eletrificados (o que equivale a 65% da produção de 2020).

A previsão foi feita pelo presidente da Anfavea (associação das montadoras), Luiz Carlos Moraes, em um evento da Prefeitura de São Paulo. O setor já enxerga a necessidade de mudar os investimentos e tecnologias das suas plantas imediatamente.

No curto prazo, a coisa muda de figura. Com a falta dos semicondutores, a Anfavea revisou, nesta semana, suas projeções para a produção neste ano. Pela segunda vez! "Nunca havíamos tido tanta dificuldade em enxergar o cenário em curto prazo na indústria automotiva”, disse o mesmo Moraes.

Inicialmente, estimava-se uma alta de 25% na produção total de veículos, em relação 2020. Em julho, passou para um crescimento de 22%. Agora, a previsão foi novamente reduzida, para uma alta de 6% a 10% em comparação com o ano passado.

Juntando as duas previsões da indústria automotiva, de curto e de longo prazo, notamos que o mercado dos semicondutores tem a atual demanda maior do que a oferta e perspectiva de mais crescimento.

E o que fizemos para o Brasil surfar essa onda? Em um decreto assinado em abril, o presidente Jair Messias Bolsonaro revogou parte dos incentivos fiscais oferecidos justamente à indústria de alta tecnologia, como de chips e circuitos integrados, a partir do ano que vem.

Levando em conta que somos o quinto maior produtor mundial de silício, parece que seria mais interessante incentivar a produção de tecnologia aqui do que seguir exportando matéria prima.

Na falta de players na nossa Bolsa, quem quiser aproveitar a alta demanda para investir na indústria de semicondutores precisa optar por fazer isso através de fundos de investimento ou de ativos no exterior. Felizmente, essa oferta é cada vez maior.

*Marcos de Vasconcellos é jornalista e assessor de investimentos. CEO do Monitor do Mercado, escreve às sextas-feiras na Folha de S.Paulo, sobre investimentos.

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