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Vozes de Mercado

Artigos de opinião sobre economia e investimentos, por diversos autores

2020: O ano em que o setor imobiliário mostrou sua força

*Por José Rafael Zullo

Diversos setores da economia enfrentaram muitos desafios desde o surgimento da pandemia de Covid-19. Alguns foram duramente impactados, como o mercado hoteleiro e de turismo, ou de bares e restaurantes, para citar apenas alguns. O setor imobiliário, contudo, em especial na capital paulista, demonstrou força e robustez. Em 2016, o mercado imobiliário havia iniciado uma rota ascendente que chegou ao ápice em 2019. Esse crescimento sofreu o impacto inicial da pandemia, mas em pouco tempo a demanda voltou a crescer e quem estava melhor preparado para o desequilíbrio momentâneo conseguiu, rapidamente, retomar o prumo.

O setor já havia passado por um período de crise que se estendeu por cinco anos, até que em 2019 registrou um crescimento de 1,6%, destacando-se como uma das atividades mais importantes da economia, tendo contribuído para alavancar o crescimento do PIB nacional em 0,5% segundo dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).

Após uma fase de efervescência nas vendas e em lançamentos, que durou até o início deste ano, era natural a expectativa de que haveria uma redução do número de lançamentos. A chegada da pandemia, contudo, acentuou essa queda em um momento que a taxa de juros atingiu uma baixa histórica, com o poder de compra do consumidor mais aquecido e a oferta de uma grande diversidade de oportunidades de negócios imobiliários para diferentes perfis.

Com o distanciamento social imposto pela pandemia e a determinação do governo paulista para o fechamento do comércio, os estandes de vendas de novos imóveis tiveram suas portas fechadas. Isso provocou queda nos resultados do segundo trimestre de 2020 em comparação ao primeiro, que ainda vinha no curso positivo da boa movimentação de 2019. Os clientes potenciais deixaram de ir aos plantões de venda e frearam a decisão de compra de imóvel com medo que poderia acontecer, já que adquirir um bem, como um apartamento, em grande parte das situações envolve o compromisso de um financiamento de longa duração.

Apesar dessa baixa movimentação na demanda e no desempenho das vendas, as obras não pararam de acontecer. Com todas as medidas de proteção e segurança adotadas, o setor da construção civil seguiu colocando os empreendimentos de pé ao longo dos meses em que as vendas permaneciam em baixa.

As empresas do setor imobiliário seguiram a premissa de tirar boas coisas de um período difícil. As incorporadoras e construtoras tiveram a oportunidade de trabalhar de forma mais calma, corrigindo seus erros de percurso, revendo processos e evoluindo em seus produtos. O consumidor, por sua vez, passou a refletir mais a partir das opções de imóveis disponíveis, estudando as ofertas do mercado, analisando melhor todas as possibilidades a fim de escolher o produto que atenda melhor às suas expectativas e necessidades. Esse contexto exigiu das incorporadoras uma performance mais eficiente para atrair esse "novo" consumidor.

O mês de julho, em que tradicionalmente o setor imobiliário paulista tem um desempenho mais morno por conta do período de férias, teve resultados bastante animadores, que continuaram a crescer desde então. O terceiro trimestre acumulou uma movimentação forte de vendas: não foi o mesmo desempenho do mesmo período do ano anterior, mas chegou a pelo menos 85% dele, o que é um saldo positivo, considerando o contexto atual.

Enquanto se imaginava um reflexo negativo, o setor imobiliário de São Paulo já tinha vendido 50% de seus lançamentos previstos, segundo mostram os números apresentados pelas construtoras no trimestre. Vários lançamentos devem reforçar esses números até o final do ano.

Esse desempenho traz para o setor imobiliário prognósticos muito positivos de consolidação em um ano que levou muitas empresas de diversos setores a encerrarem suas atividades e outras ainda estão em marcha lenta no processo de retomada. O setor deve chegar ao final desse ano - que muita gente quer riscar do caderno - não com os resultados que se projetava em 2019, mas mesmo assim o cenário não é desanimador. Muito pelo contrário.

Enquanto muitas incorporadoras oferecem lançamentos ainda para este ano, outras se preparam para apresentar suas novidades - que não foram para o mercado por conta da pandemia - no início de 2021, que vai esquentar a concorrência e as vendas. Esse bom prognóstico só será interrompido se a vacina do Coronavírus não estiver disponível até o final do primeiro trimestre do próximo ano, o que pode gerar uma segunda onda da doença e levar todo mundo para dentro de casa novamente.

*José Rafael Zullo é diretor de Incorporação da SKR Incorporadora

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