ENERGIA:Brasil está pagando um custo muito alto para evitar apagão-

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São Paulo, 13 de outubro de 2021 - O Brasil vive a pior crise hídrica dos
últimos 90 anos e as medidas adotadas para evitar um possível apagão de
energia elétrica contam com a sorte da ocorrência de chuvas, que acabou dando
certo, mas a um custo muito alto.

"O que acaba pesando mais para os consumidores é o peso que a
hidreletricidade tem no país, que representa mais de 60% da geração. Então,
com a escassez de água, a geração de energia tem que ser compensada de outra
maneira, que na forma como o sistema brasileiro é estruturado, é feito pelas
termelétricas. Estamos pagando um custo alto para evitar o risco do apagão",
disse Amanda Ohara, consultora do Instituto Clima e Sociedade. A declaração
foi dada durante a Live CMA Mercados, sobre a crise hidrológica e o risco de
apagão no Brasil, transmitida hoje no YouTube e no Facebook.

Em relação ao racionamento, não existe risco, pois sua implementação
necessitaria de medidas estruturadas e coordenadas pelo governo central que, na
sua visão, não está disposto a assumir esse risco nesse momento no país.
"Mas, em termos gerais, a crise não termina quando vira o ano de 2021",
acrescenta.

A crise hidrológica está inserida no contexto de mudanças climáticas,
que alteram os ciclos hidrológicos e geram eventos climáticos extremos, como
as secas, que vem aumentando anualmente, e é neste contexto de incerteza que o
setor elétrico vai ter que se preparar para atuar e mais rápido do que tem
sido nos últimos anos.

"Os modelos de operação do sistema olham os ciclos hidrológicos dos
últimos 90 anos para julgar se devem ou não acionar as térmicas para
compensar uma possível falta d'água. E o que estamos vivendo hoje é uma
prova de que esses modelos estão sendo muito otimistas. Poupar água é a
situação mais segura."

Na visão da consultora, a preparação do sistema deve considerar uma forma
que seja segura operar os reservatórios sem disparar demais os custos de
geração com o acionamento de térmicas, que deveriam ser usadas somente em
emergências. "Nesse sentido, as fontes renováveis intermitentes - solar e
eólica - têm um papel importante, pois são as fontes mais baratas no mundo
todo e, no Brasil especialmente, pois temos uma fonte enorme de recursos, tanto
de vento quanto de sol."

Por serem fontes controláveis, essas fontes permitem que o sistema aumente
cada vez mais a sua reserva de água, evitando o deplecionamento dos níveis dos
reservatórios e o acionamento das termelétricas - mais caras - nos períodos
de seca, explica.

"Para se ter uma ideia, o custo marginal de operação do sistema passou
de cerca de R$ 100 por megawatt-hora (MWh) em agosto de 2020 para R$ 3 mil por
MWh por ter todas as térmicas em operação. E no final das contas, isso gera
um aumento de tarifas, que já subiram 7% por conta do aumento das bandeiras
(tarifárias), que tem reflexos diversos na economia."

Nesse sentido, a existência de uma matriz elétrica mais diversificada no
país é outro fator que colabora para reduzir o risco de apagão no país.
Além de contar com as termelétricas para atender o sistema nos períodos
secos, houve uma expansão considerável da energia eólica no país nos
últimos dez anos, responsável por aproximadamente 9% da matriz energética
nacional, além de biomassa e solar.

Cynara Escobar / Agência CMA

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