PETROBRAS:Ações sobem com debate político e expectativa de ganhos

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São Paulo, 14 de outubro de 2021 - As ações da Petrobras sobem em meio a
um noticiário agitado para a estatal e comentários do governo sobre a
privatização, com analistas citando uma visão positiva aos ganhos da
companhia. Às 12h38 (horário de Brasília), as ações preferenciais (PETR4) e
e ordinárias (PETR3) da companhia tinham alta de 1,07% e 0,23%, a R$ 29,94 e
R$ 30,37, respectivamente.

O presidente Jair Bolsonaro, o ministro Paulo Guedes e o presidente da
Câmara, Arthur Lira, passaram a defender a privatização da estatal, em
reação ao reajuste dos combustíveis pela Petrobras e após Câmara dos
Deputados aprovar um projeto que altera a cobrança do ICMS sobre combustíveis
para um valor fixo e o preço referência para incidência do imposto, ontem à
noite (13). A proposta segue para análise do Senado.

A Petrobras também recebeu proposta de mais de US$ 1,5 bilhão pelo
consórcio formado pela Aguila Energia e Participações e pela Infra
Construtora e Serviços para a compra dos campos de produção terrestres,
localizados na Bacia do Recôncavo e Tucano, no estado da Bahia, chamados de
Polo Bahia Terra. Segundo a estatal, a celebração da transação dependerá do
resultado das negociações, bem como das aprovações corporativas
necessárias.

ANÁLISES

Analistas apontam que um cenário favorável para a companhia, considerando
a redução da interferência na política de preços e expectativa de
desempenho operacional com a cotação internacional do petróleo e do dólar.

O Bank of America (BofA) estima que a companhia deve continuar a se
beneficiar dos maiores preços internacionais do petróleo, com a eleição
presidencial de 2022 no Brasil e risco-país como principais desafios, mas
manteve a recomendação de compra da ação. A estimativa positva de
risco-recompensa deve-se à expectativa de benefícios dos preços mais altos do
petróleo e forte desempenho operacional que devem permitir uma redução
adicional da dívida e dividendos muito mais elevados.

Já em relação ao gás natural, a análise aponta falta de alavancagem
para o aumento do preço, devido à ampla independência dos produtores na
América Latina em relação aos benchmarks de preços internacionais e à
participação inferior do produto nos volumes de produção e vendas para a
maioria das companhias.

"Esperamos também que a sólida posição financeira da empresa permita um
plano de negócios mais dinâmico, que deve ser divulgado no final de novembro,
início de dezembro. Acreditamos que esses fatores favoráveis devem ser
positivos para o desempenho das ações", disse o analista Frank McGann.

A Ativa Investimentos vê um contexto favorável para os preços de
combustíveis, em análise sobre a aprovação da mudança do ICMS.

"Avalio que a medida é inócua por diversos motivos. Em linhas gerais, a
medida é ruim estruturalmente, conjunturalmente é facilmente contornável e
ainda não tem grandes chances de aprovação no Senado, mesmo com o presidente
da casa, Rodrigo Pacheco, afirmando que a Câmara alta terá boa vontade com o
projeto", opina Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos.

Ele cita, por exemplo, a resistência de governadores e prefeitos para que
a matéria avance no Senado, visto que o impacto orçamentário para os entes
federativos é de cerca de R$30 bilhões, de acordo com o Comfaz. Além disso,
considera que a medida não ataca o "problema", já que o preço dos
combustíveis subiu em função da conjuntura internacional, somado aos
problemas fiscais brasileiros que se refletem no câmbio.

O Credit Suisse diz que a aprovação da mudança do ICMS é positiva para a
Petrobras ao endereçar o debate político sobre os preços sem interferir na
prática de mercado. "Em nossa visão, o projeto de lei ajuda a reduzir a
volatilidade ao fixar o ICMS para 12 meses
bem como reduz os impostos estaduais em termos absolutos", comentam os
analistas.

Cynara Escobar / Agência CMA

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