JUROS: Taxas fecham em alta com sinalização do BC de aceleração da Selic

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São Paulo, 14 de outubro de 2021 - As taxas dos contratos futuros de
Depósito Interfinanceiro (DI) fecharam em alta após o mercado acomodar fala do
diretor de Política Econômica do Banco Central, Fabio Kanczuk, que sinalizou
aceleração da taxa básica de juros caso necessário para trazer a inflação
para a meta em 2022.

Na terça-feira (13), Kanczuk afirmou que o ajuste de 1 ponto na taxa Selic
não é um compromisso e pode mudar dependendo das condições e que o foco do
BC é na convergência da inflação para 3,5%.

Lucas Collazo, especialista em investimentos da Rico, destaca a fala de
Kanczuk em uma semana mais calma em termos de indicadores econômicos no Brasil.

"A fala do diretor de Política Econômica do Banco Central foi
interpretada como 'hawkish' pelo mercado, o que pressionou a curva recente",
diz.

"Como ontem tivemos um dia de estabilidade, hoje é o 'day after', um
ajuste em dia não tão positivo, com dólar subindo e bolsa caindo", completa.

Uma postura 'hawkish' significa manter uma política austera, com taxas de
juros mais altas e, assim, inflação mais controlada.

O professor Pedro Luiz Ferreira Júnior, coordenador da pós-graduação em
Mercados Financeiros do Senac EAD, alerta para o impacto dessa sinalização do
Banco Central a longo prazo.

"A fala do Kanczuk foi bastante interessante, com impacto imediato no
mercado, mas há ceticismo quanto a sua efetividade a longo prazo", diz.

O professor explica: "Esse Governo sinaliza uma tendência, mas ela nunca
é cumprida. Isso acaba impactando na credibilidade junto ao mercado", diz.
"É uma administração como voos de galinha", completa.

Ferreira Júnior também alerta para a falta de ações ordenadas no combate
a inflação: "Só mexer na taxa básica de juros não é suficiente.
Precisa-se intervir no câmbio e na tributação de alguns produtos
essenciais", afirma.

"Eu vejo o time econômico se mexendo para enfrentar a inflação, mas não
de forma ordenada", finaliza.

Nesta quarta-feira (14), para controlar o dólar, o Banco Central fez um
anúncio surpresa de leilão de swap cambial, que injetou US$ 1 bilhão de em
contratos derivativos na economia.

Collazo destaca também o posicionamento do FED, que divulgou ata do Fomc
nessa quarta-feira (13) sinalizando antecipação da retirada de estímulos
econômicos e aumento da taxa de juros.

"O FED sempre ditou o movimento da política monetária do mundo. A alta de
juros por lá deve começar em meados de 2022, início de 2023, e isso
impactará também na nossa curva", afirma.

Por volta das 16h30 (horário de Brasília), o DI para janeiro de 2022 tinha
taxa de 7,336%, de 7,306% no ajuste anterior
projetava taxa de 9,140%, de 9,050%
10,010% antes e o DI para janeiro de 2027 com taxa de 10,460%, de 10,430%, na
mesma comparação. No mercado de câmbio, o dólar com vencimento para novembro
operava em alta, cotado a R$ 5,53 para venda.

Pedro de Carvalho / Agência CMA

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