JUROS: Taxas desaceleram, mas fecham em alta diante de risco fiscal

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São Paulo, 20 de outubro de 2021 - As taxas dos contratos futuros de
Depósito Interfinanceiro (DI) fecharam em alta, apesar de desacelerarem após
fala do presidente Jair Bolsonaro de que respeitará o Teto de Gastos mesmo com
sinalização do novo Auxílio Brasil, no valor de R$ 400 até o final de 2022.

Em pronunciamento, o ministro da Cidadania João Roma também anunciou nesta
tarde reajuste de 20% no antigo Bolsa Família, mas respeitando o orçamento.
Segundo ele, o pagamento não se dará por crédito extraordinário.

Gustavo Bertotti, head de renda variável da Messem Investimentos, viu com
bons olhos a fala de Roma: "A fala soou positiva, principalmente na questão
da responsabilidade fiscal", diz. "É o que o mercado aguardava, trouxe algum
alívio, mas incertezas continuam com relação ao orçamento de 2022",
alerta.

É o que pensa também Luciano Rostagno, estrategista-chefe do banco Mizuho.
Para ele, as falas do presidente e do ministro ajudaram a diminuir um pouco as
tensões, mas ainda há muitas incertezas.

"Os investidores sabem o tamanho do desafio que é garantir o Auxílio
Brasil no valor de R$ 400 sem furar o teto", diz. "As palavras do Bolsonaro
pelo menos sugerem que há uma preocupação por parte do governo em não
estressar o mercado", completa.

Rostagno espera uma saída que possa agradar tanto a ala política quanto a
ala técnica do Planalto: "A gente viu, em diversas ocasiões, tentativas de
se burlar o teto de gastos, que foi contida pela equipe econômica", afirma.
"A gente sabe que o presidente tem uma visão mais política da questão, mas
o ministro da economia ainda goza de prestígio", completa.

Quem explica as incertezas fiscais do novo benefício social do governo é
Guilherme Rebouças, da OBB Capital: "O novo Bolsa Família, inicialmente
previsto em R$ 300, cabia no Orçamento. A notícia relativamente inesperada é
que o valor agora veio com furo no Teto de Gastos", diz.

"A sinalização é que abriu a temporada de furar teto e populismo",
alerta.

Operador de renda fixa da RB Investimentos, Lucas Visconti compartilha da
mesma preocupação. Para ele, uma "vitória" da equipe econômica agora é
"perder de pouco": "O mercado já precificou uma furada do teto, a
questão é se realmente a equipe econômica vai limitar esse excesso em R$ 30
bilhões ou se vai abrir porteira de vez", diz.

Apesar das sinalizações de Bolsonaro e Roma, integrantes do Ministério da
Economia preveem uma despesa de cerca de R$ 30 bilhões fora do teto de gastos
para bancar o benefício ao longo de 2022.

O economista da OBB Capital afirma que o novo Auxílio Brasil, nesses
termos, traz insegurança ao mercado.

"Vamos ter menos crescimento econômico, mais inflação e Banco Central
mais austero, tendo que subir juros", diz.

Visconti finaliza: "Os juros vão seguir elevados enquanto não tivermos
uma sinalização concreta da questão fiscal"

Por volta das 16h30 (horário de Brasília), o DI para janeiro de 2022 tinha
taxa de 7,632%, de 7,584% no ajuste anterior
projetava taxa de 9,900%, de 9,840%
10,890% antes e o DI para janeiro de 2027 com taxa de 11,270%, de 11,190%, na
mesma comparação. No mercado de câmbio, o dólar comercial com vencimento
para novembro operava em queda, cotado a R$ 5,55 para venda.

Pedro de Carvalho / Agência CMA

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