JUROS: Taxas fecham em alta após revisão de PIB e alta de combustíveis

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São Paulo, 25 de outubro de 2021 - Ao contrário do câmbio e do Ibovespa,
que se recuperam da semana anterior, as taxas dos contratos futuros de
Depósitos Interfinanceiros (DI) fecharam com viés negativo após a agitação
fiscal dos últimos dias.

Nesta manhã, o boletim Focus trouxe uma piora geral nas previsões para a
economia, com PIB de 2021 abaixo de 5% pela primeira vez.

Logo após, a Petrobras anunciou mais um reajuste nos preços da gasolina e
do diesel para as distribuidoras, acompanhando a alta do petróleo. É o segundo
aumento do mês, de R$ 0,21 por litro, válido a partir desta terça-feira
(26). O aumento dos combustíveis, como se sabe, pressiona toda a cadeia
produtiva e coloca ainda mais fervura no processo inflacionário.

Como se não bastasse, o Itaú passou a prever a retração de 0,5% do PIB
para o ano que vem. É o primeiro banco ventilando a possibilidade de recessão.


Quem explica é o economista-chefe e sócio da Nova Futura Investimento,
Pedro Paulo Silveira: "O mercado mostrou que vai ser mais cauteloso daqui para
frente", diz. "A Bolsa se recuperou e o dólar está caindo, mas as taxas
não", prossegue.

Segundo ele, esse será o novo patamar das taxas de DI até novas
sinalizações positivas da equipe econômica. "As taxas se mantiveram fortes,
mostrando que o mercado vai aguardar novas atitudes da política monetária e
fiscal", afirma. "O mercado de juros está realmente em um patamar mais alto
e assim deve permanecer", prossegue.

Para Mehanna Mehanna, sócio e fundador da Phi Investimentos, o mercado
abriu a sessão de ressaca. Segundo ele, se houve uma política assertiva do
governo na semana passada foi soltar a bomba fiscal de uma única vez. "Para
mim, essa estratégica de anunciar o aumento do auxílio, citar dificuldade de
arrecadação e confirmar o rompimento do teto foi adotada propositadamente",
diz.

Para Mehanna, o tsunami de más notícias permite, ao menos, alguma
previsibilidade quanto aos próximos passos.

Mas, segundo o economista, a preocupação inflacionária é mais difícil
de dosar no curto prazo, com a alta das commodites, a pressão cambial e uma
possível crise hídrica. "Além disso, tivemos o boletim Focus prevendo para
cima a expectativa de inflação e reunião do Copom nesta semana", diz.

Para Vitor Carettoni, diretor da Mesa de Renda Variável da Lifetime
Investimentos, o mercado já espera uma elevação de 1,5% na Selic esta semana
e a solução da PEC dos Precatórios. "Ainda temos espaços para novos
estresses", afirma. "Apesar da Bolsa estar subindo, porque as ações estão
uma barganha, o mercado de juros, que mostra o risco do país, segue
subindo", completa

Por volta das 16h30 (horário de Brasília), o DI para janeiro de 2022 tinha
taxa de 8,308% de 8,148% no ajuste anterior
projetava taxa de 11,130%, de 10,850%
de 11,500% antes, e o DI para janeiro de 2027 com taxa de 11,810% de 11,810%, na
mesma comparação. No mercado de câmbio, o dólar comercial com vencimento
para novembro operava em queda, cotado a R$ 5,55 para venda.

Pedro de Carvalho / Agência CMA

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