IBOVESPA: Indice encerra em alta de 0,57%, com atenção a indicadores e Vale

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São Paulo, 3 de dezembro de 2021 - O principal índice da B3 subiu 0,57%,
aos 105.069,69 pontos. O Ibovespa futuro com vencimento em dezembro teve alta de
0,84%, aos 105.630 pontos. O giro financeiro foi de R$ 26,281 bilhões. Na
semana, o Ibovespa registrou elevação de 2,78%. Em Nova York, as bolsas
fecharam em queda.

A Bolsa manteve a tendência de alta apresentada ontem, após a aprovação
da PEC dos precatórios no plenário do Senado e divulgação de dados fracos do
do mercado de trabalho americano (Payroll), que favorecem a manutenção do
capital estrangeiro no Brasil, mas foi impactada pela queda da Vale (-2,20%),
que tem forte peso no índice.

O mercado também digeriu os resultados da produção industrial de outubro,
divulgados nesta manhã, que vieram abaixo do esperado pelo mercado e mostraram
queda de 0,6% frente setembro, no quinto resultado negativo consecutivo,
acumulando nesse período perda de 3,7%. Na comparação com outubro de 2020, na
série sem ajuste sazonal, a queda foi de 7,8%.

Para José Costa, economista-chefe da Codepe Corretora, o movimento de hoje
reflete a aprovação da PEC, ontem no Senado, e o forte peso das ações da
Vale e da Petrobras no Ibovespa. A ação da petrolífera vem ganhando desde que
a companhia divulgou seu plano de investimentos quinquenal, com forte
projeção de pagamento de dividendos atrelada ao preço do barril de
petróleo."A medida que for diminuindo a divida em dólar, a Petrobras pode
pagar dividendo extra. Se tudo der certo nos cinco anos, eles podem distribuir
de US$ 10 bilhões a US$12 bilhões por ano, um yield de 13%, 14%. O petroleo
tá caindo, ela tá subindo, todo mundo começou a comprar. Então, a Petrobras
está fazendo a diferença", avalia.

Já a Vale, após subir na semana, mesmo com o minério de ferro e seus
pares caindo lá fora, hoje ajustou esse movimento e fechou em queda de 2,72%.
"O mercado achou um patamar e vai trabalhar em cima dele, vai ficar em 102 a
108 mil pontos. Quando a bolsa cai e esse ano caiu bem. No começo do ano, todo
mundo saiu da renda fixa e veio para a Bolsa, com a expectativa de ganhar muito.
E a inflação não está sendo provilégio nosso."

Para os próximos dias, Costa afirma que a atenção dos investidores deve
se voltar, principalmente, ao juro americano, com vistas a um possível
aceleração da redução de compras de ativos (tapering) na próxima reunião
de política monetária. "É a pá de cal, é o grande número que pode fazer o
mercado sofrer se não olharmos com cuidado." Na sua visão, "está se
preparando um terreno", que começou quando o presidente do Federal Reserve
(Fed, o banco central norte-americano), Jerome Powell disse em tirar o tapering.
"Se aumentar para 30%, significa que a grana acaba em abril. E aí ele terá
que dar dois aumentos de juros, o que impacta na Nasdaq. As ações vão ficar
caras. Nos Estado Unidos, para subir juros, tem um processo e, subindo, o
dinheiro vai ficar caro, muita coisa será desmontada no mundo, então, esse
mês será crucial para avaliar quando o FED vai retirar o tapering. Estou
atento ao movimento do juro americano."

Para Alexsandro Nishimura, economista e sócio da BRA, "ainda acho que não
dá para falar em rali de fim de ano, mas a sequência do melhor pregão do ano
e a continuidade nesta sexta-feira já dá um respiro para o investidor, tão
machucado nestes últimos cinco meses.

O avanço da resolução à bagunça fiscal - ainda que ruim, mas que dá
números para os economistas trabalharem - foi o trigger que permitiu o início
de uma recuperação nos mercados locais."

Em relação aos indicadores, Nishimura destaca que o dia foi de importantes
divulgações de indicadores econômicos no exterior, com destaque, para o
Payroll, relatório de empregos norte-americano, que mostrou geração bem
abaixo do esperado, 210 mil novas vagas em novembro, contra consenso de 550 mil
e 531 mil em outubro. "Grande parte dos executivos das maiores empresas têm
comentado que o cenário segue desafiador em termos de salários cada vez mais
competitivos para contratar. Por outro lado, a taxa de desemprego caiu de 4,6%
para 4,2%. Tais dados sugerem que o mercado de trabalho segue apertado, embora
haja um progresso pior no retorno da folha de pagamento ao nível anterior à
pandemia."

Cynara Escobar / Agência CMA

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