O CEO da Taurus Armas (TASA4), maior empresa de armas e munições do Brasil, pediu que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva dificultasse a importação de armamentos. 

O pedido foi feito por Salésio Nuhs em uma carta, à qual o Monitor do Mercado teve acesso, enviada ao novo ministro da Defesa, José Múcio, em nome da Associação Nacional da Indústria de Armas e Munições (Aniam), da qual Nuhs é também presidente. 

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A associação solicitou que Lula acabasse com a isenção de imposto de importação de armas  — tanto pistolas quanto revólveres — instituído pelo governo de Jair Bolsonaro no fim de 2020.

Vale observar que o mercado nacional representa a menor fatia das receitas da Taurus. Seu maior mercado são os Estados Unidos.

As mudanças que facilitaram a compra e o porte de armas no país eram parte das promessas de campanha de Bolsonaro, que sempre defendeu o armamento da população.

Já Lula, em seu primeiro dia de governo (1º/1), por meio de um decreto, revogou uma série dessas normas que ampliavam o acesso da população a armas de fogo.

A carta assinada pelo CEO da Taurus foi enviada antes disso, no meio de dezembro, justamente prevendo a mudança na política de armas, já anunciada durante a campanha.

O documento traz uma série de sugestões de medidas para “o real controle das armas e munições” e manutenção da Base Industrial de Defesa.

Além do fim da isenção tributária para importação de armas, Nuhs pedia a criação de uma agência de controle de armas; o controle único e on-line de todas as movimentações de armas e munições entre os fabricantes; e a revogação do porte de trânsito.

O decreto de Lula trouxe menos pontos do que os listados pela carta, mas ele definiu a criação de cria grupo de trabalho para propor nova regulamentação para o Estatuto do Desarmamento, de 2003. Ou seja: ainda há espaço para mais discussão sobre a política de armas, envolvendo os players do setor.

Alta com Bolsonaro

Do primeiroao último dia do governo Bolsonaro, as ações da Taurus (TASA4) mais do que triplicaram de preço, com uma alta de praticamente 225%.

Desde março do ano passado, quando teve seu último pico, o preço vem caindo com consistência. De lá para cá, a queda foi de mais de 50%.

Desde as eleições presidências de 2022, quando Lula foi eleito, os papéis perderam de 18% de seus preços.

Além da política pró-armas do governo anterior, pesou, e muito, a troca no comendo da empresa, em 2018, justamente quando Nuhs foi alçado ao cargo de CEO. 

Em setembro de 2022, Salésio Nuhs detalhou, ao Monitor do Mercado, os planos para a empresa.

Em conversa com o CEO do Monitor, Marcos de Vasconcellos, e com o gestor da Titan Capital, Thiago Raymon, Nuhs deu detalhes sobre a produção da empresa, seus investimentos em pesquisa e desenvolvimento, suas novas plantas e até mesmo sobre avanços na agenda ESG (governança social, ambiental e corporativa, em tradução livre). 

Veja a entrevista completa:

 

 

Imagem: Montagem a partir de divulgação