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Fundo contra racismo do Carrefour recebe menos do que 3 diretores

O dinheiro que o Carrefour vai aportar no recém-criado fundo de combate ao racismo e inclusão racial equivale a menos do que foi pago a três diretores da rede só em 2020.

De acordo com documentos aos quais o Monitor do Mercado teve acesso, os cinco diretores estatutários da rede receberam, até setembro deste ano, R$ 48 milhões. Dividindo igualmente, daria R$ 9,6 milhões para cada um. O fundo, anunciado nesta segunda-feira (23), vai receber uma injeção de R$ 25 milhões.

pagamento diretores carrefour 2020

Vale notar que o lucro líquido da rede no Brasil (sob o nome Atacadão S.A.), até o terceiro trimestre deste ano, foi de R$ 685 milhões. Em 2019, foi de R$ 1,3 bilhão.

A criação do fundo foi noticiada como uma espécie de resposta às manifestações em todo o país contra o grupo de supermercados, por conta do espancamento até morte de um homem negro, por um segurança do Carrefour e um policial, nas dependências do supermercado, em Porto Alegre (RS).

O assassinato de João Alberto Silveira Freitas, de 40 anos, ocorreu na última quinta-feira (19/11), véspera justamente do Dia da Consciência Negra. A cena foi filmada e mostra os agressores desferindo socos na vítima já desacordada.

Diversas manifestações contra a rede de supermercados foram feitas em todo o Brasil desde a semana passada. Ainda assim, na sexta-feira, as ações do grupo subiram 1,29%, enquanto o Ibovespa registrou uma leve queda, de 0,85%.

Foi justamente nesta segunda, quando o grupo anunciou a criação do fundo de combate ao racismo, que o mercado reagiu negativamente às manifestações e seus papéis tiveram uma queda de 5,35%.

O impacto de escândalos na imagem dos supermercados e, consequentemente, em suas contas e ações (CRFB3), já era uma das principais preocupações da rede.

Em documento divulgado ao mercado no início desde ano, o Carrefour apontou que se a rede de supermercado fosse “alvo de publicidade negativa”, poderia sofrer “um efeito adverso relevante”.

O mesmo documento deixa claro que o grupo não garante que seus terceirizados, como a empresa de segurança à qual estava vinculado o profissional que matou João Alberto, não se envolvam “com práticas irregulares”.

O Monitor do Mercado selecionou trechos do documento que dizem respeito à preocupação da rede com possíveis danos à sua imagem:

“A publicidade e cobertura da mídia geralmente exercem uma influência significativa sobre o comportamento e ações dos consumidores. Se formos alvo de publicidade negativa, que possa fazer com que nossos consumidores mudem seus hábitos de compras, inclusive como resultado de recall de produtos que vendemos ou de escândalos relacionados ao manuseio, preparação ou armazenamento de produtos alimentícios em nossas lojas, poderemos sofrer um efeito adverso relevante.”

“Publicações ou comentários negativos sobre nós, nossos negócios, nossas operações, nossos Diretores ou membros do Conselho de Administração em qualquer rede social podem prejudicar gravemente a nossa reputação”

“Eventual publicidade negativa que prejudique significativamente a reputação de uma ou mais de nossas marcas poderá ter um efeito negativo sobre o valor de todas as nossas marcas, o que poderá impactar adversamente nossas vendas.”

“Não podemos garantir que os nossos fornecedores não se envolvam com práticas irregulares.”

“Podemos ser responsabilizados por lesões corporais ou morte de colaboradores de terceiros que estejam prestando serviços para nós dentro das nossas instalações, o que pode afetar adversamente nossa imagem e nossos negócios.”

“Dada a descentralização e terceirização das cadeias produtivas dos nossos fornecedores, não podemos garantir que os fornecedores não terão problemas com relação às condições de trabalho, sustentabilidade, quarteirização da cadeia produtiva e condições de segurança  impróprias,  ou que  eles não  usarão  essas  práticas  irregulares para reduzir os custos dos produtos. Se um número significativo dos nossos fornecedores se envolver com essas práticas, a nossa reputação poderá ser prejudicada e, como consequência, a percepção dos consumidores, em relação a nós, poderá ser afetada adversamente, causando, assim, uma redução na receita operacional líquida e nos resultados operacionais, bem como no preço de negociação das nossas ações ordinárias.”

Questionada, a assessoria de imprensa do Carrefour não respondeu ao e-mail do Monitor do Mercado. Assim que houver uma resposta, será publicada pelo site.

*Imagem em destaque: Wikimedia Commons

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