A Assembleia Geral Extraordinária (AGE) da JBS (JBSS3) aprovou nesta sexta-feira (23) a reestruturação societária da empresa, que permitirá a listagem das ações na Bolsa de Valores de Nova York (Nyse) e a negociação no Brasil por meio de BDRs Nível II na B3.
Com a reestruturação, a JBS migrará a sua base acionária para uma nova holding com sede na Holanda, chamada de JBS N.V.
Em entrevista à CNN Money, o CFO da JBS, Guilherme Cavalcanti, afirmou que a operação não significa um afastamento do país. “Todos os ativos continuam sob o Brasil. O Brasil continua sendo um dos nossos principais focos de investimento”, reforçou.
Em reação ao anúncio desta manhã, as ações da JBS entraram em leilão por oscilação máxima permitida. Após o leilão, os papéis JBSS3 operavam em alta de 2,41% — liderando o Ibovespa. No início da tarde, no entanto, o cenário de incertezas levou as ações para uma leve de 0,02%.
O que muda para os acionistas da JBS
Com a aprovação, a atual JBS S.A. será incorporada pela JBS Participações. Em troca, os acionistas receberão ações preferenciais resgatáveis (PN Resgatáveis) na proporção de uma PN para cada duas ações ordinárias.
Essas ações serão convertidas automaticamente em BDRs (Brazilian Depositary Receipts) — certificados que representam papéis emitidos por empresas no exterior e que passam a ser negociados no Brasil.
A nova estrutura não permitirá a permanência da empresa no Novo Mercado da B3, devido as regras mais rígidas de governança corporativa do segmento, já que BDRs não são permitidos nessa categoria.
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Objetivos da mudança
Segundo a JBS, a nova estrutura societária vai:
- Fortalecer a governança corporativa;
- Atrair novos investidores institucionais internacionais;
- Reduzir o custo de capital.
A avaliação da operação foi conduzida pela consultoria KPMG, que atribuiu à JBS um valor patrimonial de R$ 44,78 bilhões, com base nos dados de 31 de dezembro de 2024.
A proposta foi aprovada por maioria, com abstenção dos dois maiores acionistas da empresa — a J&F Investimentos e a BNDESPar. Dessa forma, o protagonismo coube aos acionistas minoritários, que detêm cerca de 30% das ações em circulação.
Próximos passos da transição da JBS
De acordo com Cavalcanti, a expectativa é que as ações da empresa deixem de ser negociadas no Brasil no dia 6 de junho. Os BDRs passariam a ser listados na B3 já em 9 de junho, enquanto a estreia na Nyse aconteceria por volta do dia 12.
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“Muitos investidores já estavam esperando. Nosso free float já aumentou muito a participação de estrangeiros”, afirmou o CFO.
Estrutura com duas classes de ações
Cavalcanti também defendeu a manutenção do controle por parte dos acionistas majoritários e o modelo de ações com diferentes classes, comum no mercado americano. Segundo ele, a J&F Investimentos já possui 48,5% da companhia e continuará tendo o controle, mesmo com a mudança societária.
“Você ter acionistas controladores que entendem profundamente do negócio, no nosso setor, isso é muito importante”, disse.JBS aprova migração para holding na Holanda e listagem nos EUA

