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Primeiros Passos

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Tesouro Selic: você deveria ser um dos 3 milhões que querem comprar

Se você não é uma das mais de 3 milhões de pessoas que já estão cadastradas para comprar (e vender) títulos do Tesouro Direto, é hora de entender por que o investimento ficou tão popular no último ano. Se você já se cadastrou, é o momento de conhecer o título mais popular do governo. Mas fique atento, pois mesmo o investimento mais conservador do Brasil tem seus “pulos do gato”.

Só para ter uma ideia de como o Tesouro tem sido atraente, a quantidade de investidores ativos, os que realmente têm uma aplicação em mãos, chegou a 1 milhão de pessoas em abril. Um ano antes, mal chegavam a 600 mil.

Calculadora, caneta e papel - rawpixel

E quem tem aproveitado isso não é quem tem muito dinheiro, mas o pequeno investidor, que já sabe que dinheiro na poupança é chance perdida. Se você tem R$ 30 no bolso e quer começar a investir, o Tesouro Direto é um caminho seguro e interessante. Se tem mais que isso, melhor ainda. E não precisa ficar de olho na bolsa ou saber da variação do dólar. É bem mais simples.

No fim das contas, o Tesouro Direto é um empréstimo que você faz para o governo e ele te devolve depois, com juros. O que muda entre um tipo de título do Tesouro Direto e outro é, basicamente, o cálculo desses juros na hora de pegar o dinheiro de volta.

Como é o próprio governo que faz as regras para receber esses “empréstimos”, coloca pequenas barreiras para ficar o maior tempo possível com o dinheiro em mãos.

Campeão de vendas

O mais popular é o Tesouro Selic, representando 51% de todas as vendas do Tesouro no ano passado. O nome com sigla assusta, mas facilita na hora de entender quanto o governo fica te devendo depois de pegar sua grana.

Selic significa que seu investimento vai render de acordo com a variação da taxa básica de juros do Brasil. Você certamente já ouviu falar da “Taxa Selic”. É isso. A taxa é definida pelo Banco Central como uma política monetária, uma forma de gerenciar as expectativas da economia. Hoje em dia, a taxa está em 6,5% ao ano (desde março de 2018).

Assim, o dinheiro de quem compra Tesouro Selic terá uma rentabilidade bruta de pelo menos 6,5% ao ano, caso a taxa se mantenha estável (isso sem descontar imposto de renda e o os 0,25% da taxa de custódia cobrada pela BM&FBovespa, que explicaremos abaixo). Bom lembrar que a Selic nunca esteve tão baixa. Em 2016 passou de 14% ao ano. Impressionante? Clique aqui e veja a tabela do Banco Central.

A expectativa do mercado é que os juros sigam baixos por bastante tempo, fazendo com que investimentos atrelados à Selic como o Tesouro Direto se tornem menos atraentes com o passar dos dias. Por isso é bom ficar de olho em quanto tempo você vai deixar o dinheiro lá. Talvez daqui a alguns anos haja outro lugar melhor para seu dinheiro, sempre de acordo com o que você espera.

Mas ainda com a Selic baixa, o título atrelado a ela rende mais que a poupança, que remunerou 4,9% ao ano em 2018. E isso dificilmente mudará, já que o cálculo da poupança é também atrelado à Selic, pensado para ficar abaixo da meta de juros definida pelo governo.

Pense bem: para o governo é melhor que você veja mais vantagem em emprestar dinheiro para ele do que em deixar a grana parada na poupança (que é praticamente emprestar para um banco).

Se, por medo de investir, você deixou R$ 5.000 na poupança de janeiro a dezembro de 2018, sacou R$ 5.245. Se tivesse aplicado no Tesouro Selic, teria tirado 5.325. Ao contarmos a inflação, que foi de 3,8% no período, o dinheiro na poupança rendeu R$ 52. Se tivesse comprado Tesouro Selic, ia render R$ 132, quase o triplo. Mais uma vez, lembrando que não estamos levando em conta o imposto de renda nem a taxa cobrada pela bolsa (vamos falar sobre esses descontos já já).

Investimento de jan/208 a dez/2018

Valor investido

Rendimento bruto

Rendimento descontada

a inflação

Poupança

5.000

245

52

Tesouro Selic

5.000

325

132

“Mas na poupança eu posso sacar a qualquer momento sem perder nada”, dizem aqueles que querem ter uma espécie de conta de segurança. O negócio é que no Tesouro Selic também. É o que chamam de investimento de alta liquidez.

Quem vender seu título de volta para o governo três meses depois de ter comprado, vai receber o rendimento relativo àqueles meses e pronto. No dia seguinte ao pedido, o dinheiro estará na sua conta. Porém, como sempre tem um porém, é preciso notar que você vai deixar uma quantia como imposto ao pegar de volta o dinheiro que emprestou para o governo.

Ainda com impostos e taxas é melhor do que a poupança

Como todo investimento, o governo cobra imposto sobre o Tesouro Selic (mesmo sendo um empréstimo para o próprio governo). Do lucro bruto, ou seja, do que render, sem descontar a inflação, é descontado o imposto de renda.

Esse percentual varia de acordo com o tempo do investimento: quanto mais tempo o seu dinheiro ficar na conta do governo (melhor para ele), menos ele te cobra juros (melhor para você). Veja como fica:

Tempo do investimento

Imposto sobre rendimento bruto

Até 6 meses

22,5%

De 6 a 12 meses

20%

De um a dois anos

17%

Mais de dois anos

15%

Além disso, também é cobrada uma taxa, chamada “taxa de custódia”, de 0,3% do investimento, que vai para a bolsa de valores, a BM&FBovespa. Dessa não dá para fugir, nem mesmo reduzir ao deixar o investimento mais tempo.

Abaixo, você vai encontrar informações sobre a taxa cobrada por bancos e corretoras. Ou melhor, sobre a taxa que não é mais cobrada por eles. Se o banco onde você tem conta ainda cobra taxa para isso, há várias opções de corretoras nas quais a abertura de conta é grátis e a taxa para investir no Tesouro Direto é zero.

Ainda assim, descontando imposto e taxa, fica melhor do que a poupança. E tem toda a segurança de ser um investimento garantido pelo governo.

Se convenceu? Veja como investir no Tesouro Direto:

Para comprar os títulos do governo, você precisa, primeiro, ter conta em um banco ou corretora que opere o Tesouro Direto.

Até bem pouco tempo atrás, seria obrigatório escolher uma instituição que cobrasse uma taxa baixa para operar esse investimento. A boa notícia é que agora várias instituições não cobram mais nada para você operar títulos do Tesouro. Veja a tabela dos bancos e corretoras que operam o Tesouro Direto e a taxa cobrada (ou não cobrada) por cada: http://www.tesouro.gov.br/web/stn/tesouro-direto-ranking-dos-agentes-de-custodia

A tabela acima traz ainda o tempo que cada instituição demora para te repassar os recursos negociados via Tesouro Direto (importante para quem busca a alta liquidez da poupança). A maioria repassa no mesmo dia, mas alguns só o fazem no dia seguinte.

Depois de ter uma conta no banco ou na corretora que você escolher, é simples comprar e vender títulos do Tesouro Selic pelo próprio site da instituição ou pelo site do Tesouro Nacional.

A tabela atualizada dos títulos disponíveis fica no site do Tesouro.

A tabela traz tudo o que você precisa saber sobre o título que você quer comprar:

Título: É o “nome” da aplicação, que facilita na hora de encontrá-la no site da sua corretora, por exemplo.

Vencimento: É a data em que o governo vai devolver o dinheiro que você emprestou comprando aquele título. Lembre-se que é possível pedir a devolução antes do prazo, com a única diferença do imposto que falamos acima. Quanto mais ficar, mais rende.

Taxa de Rendimento (% a.a.): O quanto esse investimento vai render ao ano. No Tesouro Selic, são valores como “0,01”, “0,05” ou “– 0,02”. Isso significa que só vai render 0,01% ao ano? Não. Vai render a Selic + 0,01% ao ano. No caso dos números negativos, é a Selic – 0,02% ao ano, por exemplo.

Valor Mínimo: É a menor parte que dá para começar a comprar. Os títulos do Tesouro Direto são fracionados (divididos em pequenos “lotes”), para que mais gente possa emprestar grana para o governo. Mas cada título tem um valor mínimo que aquela aplicação aceita. O limite geral é R$ 30. No entanto, muitos têm um valor de entrada mínimo maior que isso.

Preço Unitário: É o preço de um título “inteiro”.

Com tudo isso, é simples calcular quanto vai render o seu dinheiro e decidir pela melhor aplicação. Para isso, precisa levar em conta, além da taxa de rendimento, o tempo que você quer deixar investido, pois há ofertas simultâneas de Tesouro Selic com diferentes datas de vencimento.

Antes de começar a operar, preste atenção nessa dica: Não saque o título antes de 30 dias! Pouca gente fala disso, mas o caso é que incide IOF, que é o imposto sobre operações de crédito, no Tesouro Selic quando ele é comprado e vendido em menos de um mês. Depois de 30 dias, esse imposto não é mais cobrado de quem sacar o investimento.

Boa sorte e bons investimentos!

Se ainda ficou com dúvidas sobre o Tesouro Selic, mande um e-mail para redacao@monitordomercado.com.br. A gente está sempre em busca de mais perguntas e, principalmente, respostas.

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