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O papel das escolas de negócio no desenvolvimento do search fund

Quando bem-sucedido, é um modelo atrativo tanto para o searcher quanto para os investidores.

icone de relogio 26/05/2023 14:34

Por Guilherme Bruschini* e Isabelle Valle Pereira**


Search fund é um modelo de negócio empreendedor onde um ou dois indivíduos formam um veículo de investimento com um grupo de investidores para buscar, adquirir e gerir uma empresa privada por um período em média de 6 a 10 anos. É o chamado empreendedorismo por aquisição (EtA – Entrepreneurship through Acquisition).

Quando bem-sucedido, é um modelo atrativo tanto para o searcher quanto para os investidores. Para o searcher, a aquisição funciona como uma espécie de “atalho” para se tornar um dono-CEO, com a oportunidade de assumir a posição de alto nível gerencial com pouca experiência, fugindo do modelo de startups que envolve todos os desafios de levantar um negócio do zero.

Do lado dos investidores, há um retorno financeiro significativamente maior e mais rápido que outras opções, além da diversificação de investimentos.

Criadora e propagadora do modelo, a Stanford Graduate School of Business conduz um estudo a cada dois anos com dados referente aos search funds nos Estados Unidos e Canadá e a IESE Business School, em colaboração com Stanford, sobre search funds fora desses países, incluindo o Brasil.

De acordo com o estudo de 2022 de Stanford, foram formados 526 search funds desde 1984, dos quais 412 concluíram o processo, 107 ainda estão buscando e 7 desviaram o modelo. Dos que concluíram, 142 terminaram o processo sem uma aquisição, enquanto 270 encontraram uma empresa. Desses 270, 39 já realizaram a saída e tiveram retorno negativo, 93 com retorno positivo e 138 continuam operando.

Fora de Estados Unidos e Canadá, onde 60% das aquisições foram feitas nos últimos 3 anos, os números mostram que houve um crescimento surpreendente nos anos de 2020 e 2021, com um recorde de 79 search funds lançados e 38 aquisições. Das 38, 24 foram feitas na Europa, incluindo 11 na Espanha e em países onde ainda não havia search funds, alcançando quase todos os continentes do mundo.

Apesar do crescente número em países como México, Reino Unido, Espanha e Brasil, o search fund ainda tem a sua grande maioria sediada nos Estados Unidos e Canadá, promovido principalmente pelas universidades de Stanford e Harvard, onde o termo search fund surgiu, e posteriormente também por escolas como Kellogg School of Management, Booth School of Business e Wharton School. Na opinião dos especialistas em search funds, um fator relevante para isso são as escolas de negócios que auxiliam a difundir o modelo, trazendo mais credibilidade e aceitação aos empreendedores alvos da busca pelo seachers.

Como os searchers são jovens talentos, normalmente com recente MBA (em média 80% deles), onde são muitas vezes convidados a conhecer o modelo, seu conceito, suas taxas de retorno e sucesso da receita, inclusive com aulas específicas sobre EtA, embora por vezes sem qualquer experiência no setor da empresa-alvo, essa bagagem certamente traz mais tranquilidade na hora da negociação.

Isso porque as empresas que se encaixam no modelo de search fund, tendem a ser empresas familiares com problemas de sucessão e que muitas vezes cresceram e se desenvolveram orgânica e naturalmente. Diante disso, é frequente o cenário onde o vendedor, depois de desenvolver os negócios por décadas, trate a empresa como se um filho fosse. Conhecer o modelo traz confiança e segurança muitas vezes almejada nesta transação.

Por outro lado, o que se nota é que os possíveis vendedores, depois de entenderem o modelo, parecem simpáticos à figura dos searchers - em comparação com fundos de private equity, que normalmente são extremamente frios e gananciosos, quase que exclusivamente voltados para resultados financeiros – pela personificação, as softskills e o momento da vida deles. Entendem que existe uma possibilidade maior de perpetuação do legado que foi construído por eles, focado na continuação do negócio, além de retornos financeiros.

No território brasileiro, as escolas de negócio como o Insper - Instituto de Ensino e Pesquisa, FGV – Faculdade Getúlio Vargas e IE Business School já realizaram diversos eventos e palestras acadêmicas para trazer e difundir o modelo, além de promover debates entre os searchers e a comunidade. O resultado disso é o aumento recorde de novos search funds iniciados nos últimos 2 anos e novas aquisições, colocando o Brasil em segundo lugar na América Latina, trazendo cada vez mais investimentos para o nosso país e demonstrando mais uma vez a importância do papel das escolas de negócio para o modelo de search fund.

 

*Guilherme Bruschini é sócio do SFCB advogados
** Isabelle Valle Pereira é advogada do SFCB

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