O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) iniciou hoje (20), em Brasília, a sexta reunião do ano para definir a taxa básica de juros, a Selic, e pode manter o aperto monetário com mais um aumento na taxa, mas em menor nível do que nos últimos encontros, quando foi elevada em 0,5 ponto. Amanhã (21), ao fim do dia, o Copom anunciará a decisão. A maioria do mercado ainda mantém aposta no fim do ciclo de altas, com a manutenção da Selic em 13,75% ao ano. Mas há quem veja a possibilidade de uma alta de 0,25 ponto.
O colegiado está dividido entre uma elevaçãopara 14% ao ano, ou a manutenção da taxa básica em 13,75% ao ano, como espera o mercado financeiro. De acordo com o boletim Focus, a expectativa é que a Selic termine o ano nesse patamar. Além da reunião destaterça equarta-feira, o Copom tem mais dois encontros em 2022, em outubro e dezembro.
Uma pesquisa da BGC Liquidez revela que 81% dos players institucionais do mercado creem em manutenção da Selic na próxima reunião do Copom, enquanto 19% aposta em um aumento residual de menor magnitude (+25bps).
Já quando se pergunta qual deveria ser a decisão correta, o aumento de 25bps ganha um pouco mais de apoio (25% tot), puxado principalmente por economistas (33%).
Em entrevista à Agência CMA, a economista da XP Investimentos, Tatiana Nogueira, o Copom deverá manter a taxa em 13,75% ao ano. “É a nossa visão. O Copom comunicou que o ciclo de alta estava na iminência do fim. De lá pra cá, tivemos notícias de neutro pra mais benigno no cenário inflacionário”, justifica.
Na avaliação da economista, a taxa deverá permanecer no atual nível até junho. A partir do segundo semestre do ano que vem, o Comitê deverá iniciar a cortar a Selic. “A gente acredita que o Copom vai para de subir, mas vai vir com um comunicado hawkish. Ele vai mais uma vez mostrar seu compromisso para levar a inflação para a meta em 2023”, completa Nogueira.
A queda da inflação nos últimos dois meses também reforçou a previsão das instituições financeiras pela manutenção da Selic. Em julho, houve deflação de 0,68% e, em agosto, de 0,36%. Com esse último resultado, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA a inflação oficial do país) acumula alta de 4,39% no ano e de 8,73% em 12 meses.
Para 2022, a meta de inflação que deveria ser perseguida pelo BC, definida pelo Conselho Monetário Nacional, é de 3,5%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 2% e o superior é 5%. Para 2023 e 2024, as metas são 3,25% e 3%, respectivamente, com o mesmo intervalo de tolerância.
No último Relatório de Inflação, divulgado no fimde junhopelo Banco Central, a autoridade monetária admitiu, oficialmente, o estouro da meta de inflação em 2022.No documento, a estimativa é que o IPCA atingirá 8,8% em 2022. O próximo relatório, já com a contabilização das últimas deflações, será divulgado na semana que vem, dia 29.
A projeção do mercado é de uma inflação fechando o ano em 6%, de acordo com o boletim Focus de ontem(19). Há 12 semanas consecutivas as instituições financeiras vêm reduzindo a previsão.
Em relatório, a Renascença afirmou que espera que a Selic seja mantida em 13,75% e que o comunicado do Copom indique a manutenção da taxa de juros em território significativamente contracionista por um período suficientemente prolongado.
“Avaliamos que a manutenção da taxa de juros em patamar significativamente contracionista por um período longo é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante”, afirmou a casa.
Segundo a consultoria, as projeções de inflação para 2023 e 2024 não devem apresentar variações relevantes com relação ao Copom de agosto. “Se, por um lado, a mediana das expectativas de inflação no Focus para 2024 subiu de 3,30% para 3,50% e os dados de atividade se mantiveram robustos, por outro lado, houve queda relevante da projeção para 2022, a expectativa para 2023 declinou de 5,33% para 5,01%”, afirmou o time de economistas da casa, “Uma alta residual de 25 bps só seria coerente caso os modelos do BC voltassem a mostrar projeções de inflação acima da trajetória de metas”, completou.
Segundo Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, a expectativa é de uma alta de 25 bps na taxa de juros, com a possibilidade, ainda que remota, de manutenção no patamar de 13,75%.
“Se a autoridade monetária não quiser perder de vista a convergência da inflação de médio prazo, dar um ajuste residual agora pode ancorar melhor as expectativas”, explicou Sung. “Enxergamos fim do ciclo de alta dos juros em 14% a.a. E o Copom deve sinalizar que pode mudar de postura no futuro, caso o cenário se deteriore, completou. Ele espera cortes na taxa de juros apenas no segundo trimestre de 2023.
O Copom reúne-se a cada 45 dias. No primeiro dia do encontro, são feitas apresentações técnicas sobre a evolução e as perspectivas das economias brasileira e mundial e o comportamento do mercado financeiro. No segundo dia, os membros do Copom, formado pela diretoria do BC, analisam as possibilidades e definem a Selic.
Pedro do Val de Carvalho Gil / Agência CMA
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