As taxas dos contratos futuros de Depósitos Interfinanceiros (DI) operam pressionadas, reflexo imediato da alta de 0,1% do índice de preços ao consumidor em agosto, nos Estados Unidos, acima das projeções do mercado de -0,1%. Os resultados ligam o alerta para um Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) mais hawkish (duro, propenso ao aumento dos juros) com o objetivo de controlar a inflação.
“Os dados de inflação dos EUA reforçam a expectativa para uma alta de 75 bps na reunião do FED da semana que vem, explica Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos. O resultado praticamente tira qualquer tipo de dúvida sobre desacelerar o ritmo de juros por lá, afirma o economista.
O dólar segue em sólida alta. A inflação nos Estados Unidos, que avançou 0,1% em agosto ante julho, e ficou acima das projeções de -0,1%, aumenta as expectativas para a reunião do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), assim como para os próximos passos da política monetária norte-americana.
De acordo com o economista-chefe do Banco Alfa, Luis Otavio Leal, “o mercado está caindo na real, e o CPI (índice de preços ao consumidor, na sigla em inglês) surpreendeu para cima. Não fazia o mínimo sentido achar que o Fed podia cortar os juros já no primeiro semestre de 2022. Foi um choque de realidade tanto lá fora quanto lá dentro”.
A Bolsa opera com queda forte de mais de 1% seguindo o mau humor generalizado após os dados de inflação nos Estados Unidos frustrarem as expectativas dos investidores. Os agentes financeiros esperavam que as quedas recentes do petróleo pudessem gerar deflação. Com os dados piores aumentam as expectativas para juros mais elevados na reunião de novembro do Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano).
O índice de preços ao consumidor nos Estados Unidos de agosto (CPI, sigla em inglês) subiu 0,1% em agosto ante de julho e o mercado previa deflação de 0,1%. Em base anual subiu 8,3% e a expectativa era de 8,1%. O núcleo também subiu 6,3% mais que o esperado (+6,1%). Esse pessimismo derruba a maioria das ações na Bolsa, principalmente os papéis que são sensíveis a juros como os de consumo.
Veja como estava o mercado por volta das 13h10 (de Brasília):
IBOVESPA: 111.539 pontos (-1,64%)
DÓLAR À VISTA: R$ 5,1870 (+1,76%)
DI JAN 2023: 13,760% (+0,18%)
DI JAN 2027: 11,580% (+2,11%)
Pedro do Val de Carvalho Gil / Agência CMA
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