O risco de fragmentação é muito inerente a um bloco monetário “imperfeito” como a zona do euro, que não dispõe de integração fiscal, bancária e de mercados de capital, disse a presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde. Assim, segundo Lagarde, sempre que houver problemas na transmissão da política monetária, o BCE precisa agir.
No começo do mês, o banco central anunciou que está trabalhando em um novo instrumento para lidar com essa questão. Durante um painel no fórum da instituição nesta quarta-feira (29), a dirigente explicou que o programa será considerado pelo Conselho do BCE na reunião de política monetária de julho.
Lagarde ressaltou que que é “apropriado” mover gradualmente com a normalização monetária em momentos de “incertezas”, mas mantendo a flexibilidade. Ela lembrou que o BCE “indicou claramente” o que fará em julho e setembro, quando deve elevar as taxas de juros para conter o aumento da inflação.
Segundo Lagarde, neste momento, a política fiscal deve se focar em apoiar os membros com economias mais vulneráveis nesse contexto, como Itália e Espanha.
No mesmo painel, a economista francesa afirmou que era de inflação ultrabaixa que precedeu a pandemia não deve voltar e os bancos centrais precisam se ajustar às expectativas de alta dos preços significativamente mais elevadas.
“Acho que não vamos voltar a esse ambiente” que manteve os preços baixos nas últimas duas décadas, disse Lagarde. Esse período de baixa inflação, baseado na crescente globalização,
agora mudou, embora a extensão disso ainda esteja sendo debatida, acrescentou.
“Existem forças que foram desencadeadas como resultado da pandemia, como resultado desse enorme choque geopolítico que estamos enfrentando agora, que vão mudar o quadro e o cenário em que operamos”, disse a presidente do BCE.
Ontem, Lagarde disse que a inflação na zona do euro estava “indesejavelmente alta” e reiterou o plano do banco de aumentar as taxas de juros pela primeira vez em mais de uma década em julho.
Economistas preveem que a inflação no bloco, que atingiu recorde de 8,1% em maio, deve acelerar ainda mais até o início do outono no Hemisfério Norte, antes de um arrefecimento lento
que pode fazer com que a inflação fique acima da meta de 2% do BCE até 2024.
Larissa Bernardes / Agência CMA
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