O dólar comercial fechou a R$ 5,146 para venda, com valorização de 2,32%. Na semana, a moeda norte-americana acumulou alta de 3,15%. Após o feriado de ontem no Brasil, o mercado absorveu todo o impacto do clima de maior aversão ao risco no exterior, que elevou o dólar frente a outras moedas. Para completar o quadro negativo, o embate entre governo e Petrobras em torno da política de preços para os combustíveis trouxe de volta as preocupações sobre o risco fiscal.
Após o Federal Reserve (Fed), o banco central norte-americano, adotar uma política monetária de maior aperto e absorvendo o tom duro do discurso do presidente da instituição, Jerome Powell, o mercado internacional assumiu uma postura mais cautelosa. Hoje, por exemplo, o dollar index teve alta de 1%, indo a 104,67 pontos.
O mercado iniciou a sexta apreensivo com a decisão da Petrobras em elevar os preços da gasolina e do diesel. O aumento foi definido ontem em reunião do Conselho de Administração da estatal e entra em vigor amanhã. A elevação já era esperada e gerou um desconforte no governo. O presidente Jair Bolsonaro não poupou adjetivos e críticas. O presidente da Câmara, Arthur Lira, foi no mesmo tom e disse que a casa vai avaliar a política de preços para os combustíveis na semana que vem.
A situação sugere uma possível crise de credibilidade e pode indicar uma fuga de recursos do mercado brasileiro. O Ibovespa despencou e foi abaixo dos 100 mil pontos. Com o possível encurtamento da oferta da moeda americana, o dólar se valorizou.
Para Jefferson Luiz Rugik, diretor superintendente de câmbio da Correparti, o movimento foi espelhando a aversão ao risco da última quinta-feira (16) nos mercados emergentes. “É um pouco exagerado, deve ter um ajuste, mas há no mercado um receio de que a inflação no mundo possa causar aumento mais forte de juros, o que pode levar a uma recessão global”, disse.
Segundo a Mirae Asset, em relatório, o mercado doméstico foi estressado nesta sexta-feira, depois das ADRs (American depositary receipts), recibos de ações de empresas brasileiras negociados nas bolsas dos Estados Unidos, terem despencado no dia anterior, de feriado.
“Tudo porque o Fed resolveu agir mais hawkish, elevando o juro básico em 0,75 pp., a 1,75%”, disse.
Para o banco Ourinvest, entretanto, o mercado já vinha incorporando essa expectativa nos preços dos ativos, principalmente no câmbio, de forma que o ajuste nos próximos dias deve ser menor, mas sustentado nesse patamar acima de R$ 5.
Dylan Della Pasqua / Agência CMA
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