Em mais uma sessão de aversão ao risco, a Bolsa fechou em queda em dia da divulgação da ata do Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano) considerada mais dura por alguns analistas e sem novidades por outra parte do mercado, uma vez que na véspera dirigentes da instituição sinalizaram um aperto na política monetária.
No documento, a autoridade monetária sinalizou a redução do balanço patrimonial em US$ 95 bilhões e indicou aumento na taxa de juros em 0,50 ponto porcentual (pp) nas próximas reuniões para combater a inflação.
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Por aqui, as smalls caps-empresas domésticas com menor representatividade em termos de volume- foram destaque de baixa devido à rápida valorização nos últimos 30 dias “e os investidores buscam as blue chips, principalmente as commodities.”, disse uma fonte. Enquanto a CVC(CVCB3) e Banco Inter (BIDI11) lideraram a queda de 8,96% e 8,69%
O principal índice da B3 caiu 0,55%, aos 118.227,75 pontos. O Ibovespa futuro com vencimento em abril perdeu 0,72%, aos 118.340 pontos. O volume financeiro foi de R$ 30,7 bilhões. Em Nova York, as bolsas fecharam em queda.
Romero Oliveira, head de renda variável da Valor Investimentos, disse que o mercado ficou surpreso porque o tom da ata do Fed foi mais hawish. “O mercado respondeu bem rápido com o recuo da Bolsa, alta do dólar e, principalmente, as small caps caíram bem”.
Oliveira comentou que a perspectiva de alta dos juros foi mais dura e que “o recado foi passado porque estão preparados para tomar as medidas mais fortes caso os indicadores de inflação continuem surpreendendo negativamente. A guerra da Ucrânia piorou as perspectivas e deixou o mercado mais incerto”.
Thiago Raymon, Especialista em Renda Variável Wise / BTG Pactual, avaliou que “o cenário internacional foi o que mais pesou no dia de hoje”, ressaltando a preocupação do mercado com o aperto monetário do Fed.
Apesar de a Bolsa ter desacelerado a queda, “o mercado vai continuar repercutindo a ata e os próximos dados de inflação vão ser importantes para o mercado entender qual a medida que o Fed vai tomar”.
Cristiane Fensterseifer, analista da Empiricus, disse que a Bolsa mantém o movimento negativo do final do pregão de ontem com uma deterioração forte na expectativa da ata do Fed. “O documento deve vir mais duro que o esperado anteriormente após alguns dirigentes afirmando que uma alta de 0,50 ponto porcentual [nos juros] era uma possibilidade, que o mercado de trabalho está apertado e que é importante trazer a inflação pra níveis mais aceitáveis”.
Cristiane destacou o comentário da vice-presidente do Fed que foi “uma virada de chave para o mercado esperar uma ata mais dura”. Ela costuma adotar um perfil mais dovish em relação à política monetária e ontem o tom foi mais austero. Com esse cenário, os rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americanos permanecem em alta impactando as bolsas.
A analista da Empiricus comentou que como pano de fundo está o agravamento da guerra da Ucrânia. “Na semana passada, as notícias caminhavam para um fim do conflito e agora existe uma piora da situação. Com as novas sanções pressiona mais a inflação nos Estados Unidos e também ajuda a elevar a posição mais dura do Fed”.
No radar dos investidores está o avanço de casos de covid na China atrapalhando a economia. “Até poderia arrefecer a questão da inflação do Fed com a China parando, mas o mercado entende que os lockdowns são pontuais e impactam a cadeia de suprimentos, o que não abranda os preços das commodities e coloca mais um item de risco para os investidores”.
Soraia Budaibes / Agência CMA
Imagem: unsplash.com
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