As ações da Kepler Weber (KEPL3) sobem 8%, cotadas a R$ 8,37, às 13h50 desta quinta-feira (30). Investidores viram no balanço do terceiro trimestre sinais de início de um processo de recuperação, com indícios de estabilização operacional e avanço das receitas externas.
Segundo a administração da companhia, o trimestre marca o início de uma recuperação gradual após um primeiro semestre pressionado por juros elevados, crédito restrito e queda nos preços das commodities agrícolas.
“O segundo semestre já iniciaria uma recuperação e a gente vê isso claramente no terceiro trimestre”, afirmou o CEO Bernardo Nogueira.
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Nogueira destacou que o desempenho melhorou em relação ao segundo trimestre, com retomada das entregas e maior eficiência operacional. A margem Ebitda subiu para 17,4%, avanço de 5,2 pontos percentuais sobre o trimestre anterior (12,2%).
Já o CFO, Renato Arroyo, afirmou que a pressão sobre os resultados permanece concentrada no lucro bruto, refletindo custos financeiros elevados e ambiente de crédito ainda restrito.
A administração projeta resultados estáveis no quarto trimestre, em um patamar mais saudável que o observado no início de 2025.
Avaliação do Citi: melhora operacional, mas cautela
O Citi manteve recomendação neutra e classificação de alto risco para as ações da Kepler, negociadas a R$ 7,75 no fechamento anterior. O preço-alvo foi fixado em R$ 8, indicando potencial de valorização de 3,2%.
Segundo o analista Andre Mazini, o balanço mostrou ganhos operacionais e melhora nas margens, em linha com o esperado. O lucro líquido de R$ 52 milhões subiu 258% frente ao segundo trimestre, impulsionado por melhora financeira.
O Ebitda recorrente foi de R$ 68 milhões, com margem de 16,1%, enquanto a receita líquida de R$ 423 milhões ficou 1% acima da projeção do banco.
Por fim, o Citi avaliou que a recuperação mais consistente das receitas ainda precisa se consolidar antes que o mercado adote uma postura mais otimista.
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Resultados financeiros da Kepler Weber
A Kepler Weber registrou lucro líquido de R$ 51,6 milhões no terceiro trimestre, queda de 13,5% em relação a 2024. A receita líquida somou R$ 423,3 milhões, recuo de 3,6%, enquanto o Ebitda — lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização — totalizou R$ 73,6 milhões, baixa de 20,8% na comparação anual.
As despesas gerais e administrativas somaram R$ 23,6 milhões, equivalentes a 5,6% da receita líquida, praticamente estáveis em relação a 2024. A margem bruta encerrou o trimestre em 24,9%, queda de 5 pontos percentuais na comparação anual.
Nos segmentos domésticos, os negócios mais ligados ao crédito rural continuam enfrentando desafios. O segmento de Agroindústrias caiu 30,6%, para R$ 108,7 milhões, enquanto Fazendas recuou 3,2%, para R$ 137,1 milhões.
Por outro lado, Portos e Terminais cresceu 97,4%, atingindo R$ 34,3 milhões, e Reposição e Serviços avançou 10,8%, para R$ 79,9 milhões.
Expansão internacional sustenta crescimento
A Kepler também reforçou no balanço sua estratégia de diversificação geográfica, com destaque para o maior contrato internacional da história da companhia — um projeto de armazenagem de arroz na Venezuela, com 200 contêineres e pagamento integral antecipado.
O segmento de Negócios Internacionais cresceu 23,6%, para R$ 63,3 milhões, impulsionado por novos projetos na América do Sul. No acumulado de nove meses, a receita do segmento aumentou 11,7%, para R$ 135,1 milhões.
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A Argentina se consolidou como principal vetor de crescimento, representando 17% das vendas externas. A empresa também fechou contratos na Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia, somando R$ 89,7 milhões em novos projetos.



