O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, encerrou a última sessão de 2025 (30) em alta de 0,40%, aos 161.125,37 pontos, consolidando um dos melhores desempenhos anuais da última década, acumulando valorização de 33,95% no ano, o melhor resultado desde 2016.
O desempenho do índice foi influenciado principalmente por dados do mercado de trabalho — a taxa de desemprego medida pela Pnad Contínua caiu para 5,2% no trimestre encerrado em novembro, no menor nível da série histórica. Já o Caged reportou a criação líquida de 85.864 vagas formais em novembro, acima da mediana das estimativas.
Os números reforçam a leitura de um mercado de trabalho aquecido, o que tende a manter o Banco Central cauteloso em relação ao início de um ciclo de cortes da taxa Selic, atualmente em 15% ao ano.
Em destaque no pregão, as maiores altas ficaram com Natura (+3,04%), Pão de Açúcar (+2,98%) e C&A (+2,57%). Em sentido oposto, Localiza liderou as perdas, com queda de 4,19%, seguida por Embraer (-1,45%) e TIM (-1,39%).
No câmbio, o dólar encerrou o ano em queda de 1,43% frente ao real, cotado a R$ 5,49, voltando a operar abaixo de R$ 5,50, impactado por um ambiente externo mais favorável às moedas emergentes, segundo análise de Harion Camargo, planejador financeiro CFP pela Planejar.
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O primeiro pregão do ano começa com os investidores atentos aos indicadores de atividade fora do Brasil. O destaque recai sobre o PMI industrial de dezembro, calculado pelo setor privado, com divulgação prevista para 11h45 nos Estados Unidos e também na Europa.
Já no campo monetário, o presidente Donald Trump voltou a afirmar que pretende anunciar “em algum momento de janeiro” o nome que substituirá Jerome Powell no comando do Federal Reserve (Fed), ao mesmo tempo em que intensifica a pressão por juros mais baixos.
Apesar do ruído político, a leitura predominante nos mercados (cerca de 85% das apostas) aponta para manutenção da taxa básica norte-americana na reunião deste mês.
No cenário doméstico, o mercado de trabalho aquecido e a persistência da inflação de serviços reduzem de forma significativa a probabilidade de o Banco Central antecipar o início do ciclo de afrouxamento da Selic já em janeiro. A expectativa majoritária é de que qualquer flexibilização fique, no mínimo, para março.
No front fiscal, o aumento das despesas em um ano eleitoral impõe maior vigilância, enquanto as incertezas em torno do chamado trade eleitoral, que já provocaram tensão no fim de 2025, prometem influenciar o humor do mercado ao longo de 2026.
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Manchetes desta manhã
- Comércio exterior brasileiro deve ter superávit de US$ 67 bilhões em 2026 (Valor)
- Quase metade dos ministros de Lula sairá para disputar eleição (O Globo)
- Política fiscal de Lula é insustentável, avaliam órgãos de pesquisa (Folha)
- Após recordes em 2025, agro deve desacelerar neste ano (Estadão)
- Lula sanciona LDO de 2026 com veto ao aumento do Fundo Partidário (Valor)
Mercado global
As Bolsas da Europa iniciam 2026 em níveis recordes, impulsionadas sobretudo pelo avanço das empresas ligadas ao setor de defesa, que levou o índice britânico FTSE 100 a romper, pela primeira vez, o patamar simbólico dos 10 mil pontos.
Na zona do euro, os dados mais recentes mostram retração nos volumes da indústria de transformação, enquanto no Reino Unido o mercado imobiliário surpreendeu negativamente com os valores das residências recuando 0,4% em dezembro.
O resultado limitou a alta acumulada de 2025 a apenas 0,6%, no ritmo anual mais fraco desde abril de 2024, de acordo com a Nationwide Building Society. As projeções apontavam para avanço mensal de 0,1% e expansão de 1,2% em 12 meses.
Na Ásia, os índices iniciaram 2026 em forte alta, com as ações de tecnologia ditando o tom dos mercados. O principal movimento do dia veio de Hong Kong, onde o índice Hang Seng avançou 2,76%, sustentado pelo forte desempenho das ações de Alibaba e Baidu.
Já na China continental, não houve negociações, com as praças de Xangai e Shenzhen fechadas. No Japão, a Bolsa de Tóquio também permaneceu sem funcionamento nesta sexta-feira, em função do feriado de fim de ano.
Em contrapartida, o mercado sul-coreano registrou forte valorização, com o Kospi subindo 2,27% e renovando máximas históricas. Em Taiwan, o índice Taiex encerrou a sessão em terreno positivo, com ganho de 1,33%.
Em Nova York, os índices futuros indicam um início de sessão positivo, com o Nasdaq em alta de 1,03% e renovando máximas, impulsionado por um novo ciclo de entusiasmo em torno da inteligência artificial (IA) e com valorização expressiva dos metais preciosos.
No pré-mercado, a Tesla sobe 2,29% e lidera os ganhos entre as gigantes de tecnologia. O sentimento favorável também foi reforçado pela estreia bem recebida da Shanghai Biren Technology em Hong Kong e pela valorização das ações da Baidu, após sua divisão de chips de IA entrar com pedido de IPO.
Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: +0,59%
- Dow Jones Futuro: +0,43%
- Hang Seng: +2,76%
- Kospi: +2,27%
- FTSE 100 (Reino Unido): +0,52%
- CAC 40 (França): +0,32%
- STOXX 600: +0,46%
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Commodities
- Petróleo: apresenta volatilidade no primeiro pregão de 2026, depois de encerrar o ano com a maior queda anual desde 2020. O mercado reagiu a ataques com drones atribuídos à Ucrânia contra estruturas do setor energético russo e ao endurecimento das restrições impostas pelos Estados Unidos, que vêm limitando as exportações da Venezuela.
No campo geopolítico, Rússia e Ucrânia trocaram acusações de ofensivas contra áreas civis no dia de Ano Novo. Ao mesmo tempo, Washington manteve a pressão sobre o governo de Nicolás Maduro, ao aplicar sanções a quatro companhias e a navios ligados ao escoamento de petróleo venezuelano.
O Brent/mar cai 0,53%, cotado a US$ 60,53 e o WTI/fev cede 0,56%, a US$ 57,10. - Minério de ferro: os mercados ficaram fechados em Dalian, na China, em razão do feriado.
Em Singapura, os contratos futuros valorizam 0,96%, cotados a US$ 105,45/ton e o mercado à vista avança 0,95%, cotado a US$ 107,75/ton.
Cenário internacional
Nos EUA, os investidores acompanham a divulgação do PMI da S&P Global na Alemanha, na zona do euro, no Reino Unido e nos Estados Unidos. Também entram no radar os dados de investimentos em construção nos EUA referentes a novembro, previstos para as 12h.
Antes da virada do ano, a China trouxe sinais mais favoráveis de atividade. O PMI industrial oficial subiu de 49,2 em novembro para 50,1 em dezembro, contrariando as projeções de queda para 49 e indicando retomada da expansão econômica.
No exterior, mesmo com a sinalização de pausa no início do ano, o mercado segue projetando alívio monetário nos EUA ao longo de 2026. A taxa básica, atualmente na faixa entre 3,5% e 3,75%, é vista caminhando para níveis mais próximos de 3%, movimento reforçado pela pressão política exercida por Donald Trump sobre o Fed.
Em publicação no Natal na rede Truth Social, o republicano voltou a defender uma condução monetária mais favorável aos mercados financeiros e afirmou: “ninguém que discorde de mim será presidente do Fed”.
Na avaliação de economistas, a economia dos EUA pode se beneficiar neste ano da combinação entre cortes de juros e de impostos, do impacto desinflacionário associado à redução do tarifaço e do avanço acelerado da inteligência artificial.
Cenário nacional
No Brasil, na véspera do Réveillon, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) com 26 vetos a dispositivos aprovados pelo Congresso. Entre os pontos barrados estão a atualização do Fundo Partidário, congelado desde 2016 e que teria impacto estimado em R$ 160 milhões, e a tentativa de resgatar emendas ligadas ao antigo orçamento secreto, avaliadas em R$ 3 bilhões.
O mercado segue atento aos ruídos institucionais envolvendo o Planalto, o Senado e o Supremo Tribunal Federal (STF), em meio ao desgaste gerado pelo caso Banco Master e pela crise que alcançou o Banco Central.
Apesar disso, houve alívio entre agentes privados após a indicação de que o Tribunal de Contas da União não dispõe de votos para reverter a liquidação extrajudicial da instituição, segundo o Broadcast. Também ajudou a reduzir tensões a dispensa do BC de uma acareação, afastando o risco de investigações contra diretores e técnicos. Em resposta ao TCU, a autarquia reiterou que a decisão se deu diante de uma crise profunda e crônica de liquidez.
No mercado de capitais, ganharam força apostas de que o Ibovespa possa mirar os 200 mil pontos em 2026, após a sequência de recordes no ano passado. Mesmo com o risco eleitoral no radar, analistas avaliam que a expectativa de cortes da Selic, combinada a um Fed mais inclinado ao afrouxamento, pode sustentar o otimismo.
A redução dos juros em janeiro é vista como improvável, mas o mercado espera início do ciclo ainda neste trimestre. O fiscal permanece como entrave, e o boletim Focus projeta a Selic em 9,75% apenas em 2028.
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Destaques do mercado corporativo
- Raízen: aprovou reorganização societária com a incorporação de empresas de bioenergia do grupo.
- Cosan: captou R$ 4 bilhões, reforçou estrutura de capital e ampliou participação indireta na Moove.
- Assaí: aprovou R$ 140 milhões em JCP, com pagamento previsto para junho.
- Petz: comunicou redução da participação do fundador Sérgio Zimerman após operação com empréstimo de ações.
- Grupo Toky terá a EXA Capital como acionista relevante após conversão voluntária de debêntures.
- Dasa: vendeu ativos hospitalares e de diagnóstico, em transações que somam R$ 1,2 bilhão.
- CSN: concluiu venda de participação na MRS Logística para a CSN Mineração, levantando R$ 599,9 milhões.
