O dólar fechou esta terça-feira (6) em queda de 0,47%, a R$ 5,38, chegando a quarta sessão consecutiva de desvalorização. Esse foi o menor nível de fechamento desde a véspera do anúncio da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República.
Segundo operadores, os primeiros pregões do ano são marcados por ajustes de posições, em um ambiente de liquidez reduzida. No fim de 2025, o dólar chegou a se aproximar de R$ 5,60, pressionado pela sazonalidade negativa do fluxo cambial e pelo realinhamento dos prêmios de risco diante de ruídos políticos internos.
Apesar do aumento das tensões geopolíticas após a captura de Nicolás Maduro pela administração Donald Trump no fim de semana, o ambiente externo segue favorável a ativos de risco.
Esse movimento beneficiou moedas de países emergentes, como o peso chileno, o peso colombiano e o rand sul-africano, que avançaram junto com o real.
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Expectativa de juros sustenta o real
Em fala ao Broadcast, Alexandre Viotto, head de banking da EQ! Investimentos, afirmou que o apetite ao risco no exterior tem favorecido ativos domésticos neste início de ano.
Segundo ele, a perspectiva de manutenção da taxa Selic em 15% pelo menos até março, combinada com a possibilidade de novos cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed), abre espaço para valorização do real no primeiro trimestre.
Viotto avalia que o dólar pode buscar níveis entre R$ 5,30 e R$ 5,20 até março. A partir desse período, o mercado deve reagir ao início dos cortes da Selic e ao avanço do cenário eleitoral.
Ele também menciona a possibilidade de “overshooting” no câmbio, termo que se refere a um movimento exagerado de queda ou alta da moeda no curto prazo, caso haja alívio monetário mais intenso e sinais políticos favoráveis.
Dólar sobe no exterior
No exterior, o índice DXY — que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes — subia 0,25% no fim da tarde, aos 98,6 pontos.
Confira o gráfico DXY (em tempo real):
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Entre os indicadores do dia, o PMI de serviços dos EUA caiu de 54,1 em novembro para 52,5 em dezembro, segundo dados finais da S&P Global. Leituras acima de 50 indicam expansão da atividade, mas o recuo sinaliza desaceleração do setor.
Autoridades do Fed também trouxeram sinais divergentes. O presidente do Fed de Richmond, Tom Barkin, afirmou que os juros já estão próximos do nível neutro. Já o diretor Stephen Miran defendeu cortes adicionais superiores a 100 pontos-base para evitar desaceleração mais forte da economia.
Nos próximos dias, o foco dos investidores estará nos dados de emprego dos EUA. O relatório ADP será divulgado nesta quarta-feira (7), enquanto o payroll — principal indicador do mercado de trabalho americano — sai na sexta-feira (9).



