O conhecimento profundo da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) é a única defesa do empregado contra erros no pagamento da rescisão. Muitos trabalhadores deixam de receber valores significativos, como a Multa de 40% sobre o FGTS, por desconhecimento das regras de cálculo.
Como funciona a multa de 40% do FGTS?
Na demissão sem justa causa, o empregador deve pagar uma penalidade de 40% sobre o total depositado no Fundo de Garantia durante o contrato. É crucial saber que esse cálculo considera todo o histórico de depósitos, mesmo que o trabalhador já tenha realizado saques anteriores. Portanto, o valor base para a multa é o saldo total acumulado, e não apenas o que restou na conta.
Muitas empresas erram ao calcular essa porcentagem apenas sobre o saldo atual, prejudicando quem optou pelo Saque-Aniversário. O dinheiro dessa multa deve ser depositado na conta do trabalhador e liberado para saque imediato junto com o restante do fundo. Assim, essa verba funciona como uma indenização financeira vital para o período de desemprego.

O que é o Aviso Prévio Proporcional?
O Aviso Prévio garante, no mínimo, 30 dias de remuneração para qualquer funcionário demitido sem justa causa. No entanto, a lei acrescenta 3 dias de pagamento para cada ano completo de trabalho na mesma empresa. Esse acréscimo pode chegar ao teto de 60 dias adicionais, totalizando até 90 dias de aviso indenizado.
Esse período integra o tempo de serviço para todos os efeitos legais, aumentando o valor das férias e do 13º Salário. O empregador pode exigir que o aviso seja trabalhado ou optar por indenizar o funcionário para que ele saia imediatamente. Consequentemente, ignorar a proporcionalidade é um dos erros mais comuns nas homologações de contratos longos.
A seguir, veja os dados da tabela para comparativo das verbas rescisórias:
| Direito | Demissão sem Justa Causa | Pedido de Demissão | Justa Causa |
| Saldo de Salário | Sim | Sim | Sim |
| Aviso Prévio | Sim (Indenizado/Trab.) | Não | Não |
| 13º Proporcional | Sim | Sim | Não |
| Férias + 1/3 | Sim | Sim | Sim (Vencidas) |
| Multa 40% FGTS | Sim | Não | Não |
| Saque FGTS | Sim | Não | Não |
Quando ocorre a Rescisão Indireta?
A Rescisão Indireta acontece quando a empresa comete faltas graves que tornam a continuidade do trabalho insustentável. Nesses casos, o funcionário “demite” o patrão e mantém o direito a todas as verbas, incluindo a multa do FGTS e o Seguro-Desemprego. Para isso, é necessário comprovar a falha do empregador judicialmente através de provas documentais.
Essa modalidade protege o trabalhador contra abusos e descumprimentos contratuais recorrentes no ambiente corporativo. O processo exige o auxílio de um advogado trabalhista para formalizar a saída sem caracterizar abandono de emprego.
Na lista abaixo, estão os motivos comuns para acionar esse direito:
- Atraso Salarial: Falta de pagamento de salários ou depósitos do FGTS por meses consecutivos.
- Assédio Moral: Tratamento humilhante ou rigor excessivo por parte dos superiores hierárquicos.
- Perigo: Exigir serviços superiores às forças do empregado ou em condições de risco proibido.

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Existe prazo para o pagamento das verbas?
A empresa tem, por lei, dez dias corridos após o término do contrato para quitar todos os valores devidos. Caso esse prazo seja descumprido, o empregador deve pagar uma multa no valor de um salário do funcionário. Essa regra do Artigo 477 da CLT protege o trabalhador contra a inadimplência financeira no momento da saída.
O pagamento deve incluir o saldo de salário, as férias proporcionais e a guia para saque do FGTS. O trabalhador deve conferir o extrato bancário imediatamente para garantir que os valores depositados estão corretos. Se houver erro ou atraso, procure o sindicato da categoria ou a Justiça do Trabalho rapidamente.







