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Setor de serviços recua em novembro após 9 meses em alta

Gabriela Santos Por Gabriela Santos
13/jan/2026
Em Destaques, Mercados, Notícias
Imagem: Agência Brasil

Imagem: Agência Brasil

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O volume de serviços prestados no Brasil recuou 0,1% em novembro em relação a outubro, interrompendo uma sequência de nove altas mensais consecutivas, aponta a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (13).

Em outubro, o setor havia avançado 0,4%, após revisão do dado inicialmente divulgado como alta de 0,3%. No acumulado dos nove meses de crescimento, o ganho foi de 3,8%. Com o recuo de novembro, o volume de serviços fica 0,1% abaixo do recorde da série histórica, alcançado em outubro.

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Apesar da queda mensal, o setor permanece 20% acima do patamar registrado no período pré-pandemia. Na comparação com novembro de 2024, o volume de serviços cresceu 2,5%, marcando o vigésimo resultado positivo consecutivo nessa base de comparação.

O acumulado do ano até novembro registrou alta de 2,7%, mesmo percentual observado no acumulado dos últimos 12 meses, repetindo o ritmo de expansão de outubro de 2025.

Retração dos serviços é puxada por transportes e comunicação

A variação negativa de 0,1% entre outubro e novembro foi influenciada por apenas dois dos cinco grupos pesquisados pelo IBGE: transportes (-1,4%) e informação e comunicação (-0,7%).

Em sentido oposto, os serviços profissionais, administrativos e complementares avançaram 1,3%, acumulando ganho de 1,6% nos últimos dois meses.

O segmento de outros serviços cresceu 0,5% e acumula alta de 3,5% entre julho e novembro. Já os serviços prestados às famílias ficaram estáveis (0,0%) no mês.

Na série com ajuste sazonal, a média móvel trimestral do volume de serviços avançou 0,3% no trimestre encerrado em novembro, frente ao período imediatamente anterior.

Quatro dos cinco setores apresentaram expansão: outros serviços (1%), profissionais e administrativos (0,4%), informação e comunicação (0,3%) e transportes (0,2%). A única queda foi registrada nos serviços prestados às famílias (-0,1%).

O economista Maykon Douglas destaca um carry-over positivo (0,8%) para o quarto trimestre em relação ao trimestre anterior.

Nos últimos meses, ressalta o especialista, o setor tem crescido de forma menos disseminada do que a média histórica, sobretudo com altas mais significativas nos segmentos ligados aos transportes, devido ao aumento da demanda e ao escoamento da safra recorde.

“Já os serviços às famílias, considerado um termômetro da força do consumo, vieram piores que o esperado e ficaram de lado no fim do ano passado, com base nos dados mensais atuais”, afirma.

Transporte de passageiros e cargas recuam em novembro

Em novembro, o volume de transporte de passageiros recuou 0,5% frente a outubro, após três meses consecutivos de alta. O segmento permanece 12,5% acima do nível pré-pandemia, mas 13,5% abaixo do pico histórico registrado em fevereiro de 2014.

O transporte de cargas teve leve queda de 0,1%, após cinco altas seguidas. Apesar do recuo, o segmento está 40,5% acima do nível de fevereiro de 2020 e 2,7% abaixo do recorde da série, alcançado em julho de 2023.

Na comparação anual, o transporte de passageiros cresceu 6,4% e o de cargas avançou 3,4%. No acumulado até novembro, os ganhos foram de 6,8% e 1,3%, respectivamente.

Crescimento anual é disseminado entre atividades

Na comparação com novembro de 2024, o avanço de 2,5% do setor foi acompanhado por quatro das cinco atividades de divulgação e por 47,6% dos 166 tipos de serviços pesquisados.

Os principais impactos positivos vieram de informação e comunicação (3,4%) e de transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio (2,5%).

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Segundo o IBGE, esses resultados foram impulsionados pelo aumento da receita em atividades como portais e provedores de conteúdo na internet, desenvolvimento e licenciamento de softwares, consultoria em tecnologia da informação, transporte rodoviário de cargas, transporte aéreo de passageiros, logística e concessionárias de rodovias.

Também houve avanço nos serviços profissionais, administrativos e complementares (3,2%) e em outros serviços (1,9%), com destaque para serviços de engenharia, consultoria em gestão empresarial, atividades jurídicas, seguros, previdência complementar, planos de saúde e serviços financeiros auxiliares.

A única influência negativa na comparação anual veio dos serviços prestados às famílias (-1%), pressionados pela menor receita de restaurantes, hotéis e espetáculos teatrais e musicais.

Serviços avançam 2,7% no acumulado do ano

De janeiro a novembro de 2025, o setor de serviços cresceu 2,7% frente a igual período do ano anterior. Quatro das cinco atividades apresentaram taxas positivas, abrangendo 53,6% dos tipos de serviços pesquisados.

A principal contribuição veio do segmento de informação e comunicação, que avançou 5,4% no período, impulsionado por receitas ligadas a tecnologia da informação, softwares, hospedagem de dados, serviços digitais e suporte técnico.

Volume de serviços recua em 17 estados

Em novembro, 17 das 27 unidades da federação apresentaram retração no volume de serviços frente a outubro, acompanhando o resultado nacional (-0,1%). As maiores influências negativas vieram do Rio de Janeiro (-1,4%), Distrito Federal (-3,4%), Bahia (-1,5%) e Amazonas (-3%).

Na outra direção, São Paulo (0,3%) e Minas Gerais (1,1%) tiveram as principais contribuições positivas, seguidos por Pará (2,6%) e Pernambuco (1,3%).

Atividades turísticas avançam pelo quarto mês seguido

O índice de atividades turísticas cresceu 0,2% em novembro frente a outubro, quarto resultado positivo consecutivo. No período, o segmento acumulou alta de 2,4%.

Com isso, o setor de turismo opera 13% acima do nível de fevereiro de 2020 e 0,8% abaixo do pico da série histórica, registrado em dezembro de 2024.

O avanço mensal foi acompanhado por 8 dos 17 locais pesquisados, com destaque para São Paulo (0,9%), Bahia (1,9%), Pará (5,3%) e Goiás (2,9%), enquanto o Rio de Janeiro (-3,2%) liderou as quedas.

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Por fim, o economista considera que o setor de serviços tenha se mostrado mais resiliente que a indústria e o varejo, que são mais sensíveis às condições de crédito, tornando mais notável a perda de ritmo do setor nos últimos meses.

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