As vendas de veículos no Brasil cresceram 2,1% em 2025, bem abaixo do avanço registrado no ano anterior e das projeções iniciais da indústria. No acumulado do ano, foram comercializadas 2,69 milhões de unidades entre carros de passeio, utilitários leves, caminhões e ônibus.
Segundo balanço divulgado nesta terça-feira (13) pela Fenabrave, associação que representa as concessionárias, o resultado ficou aquém das estimativas da entidade, que no início de 2025 projetava crescimento de 5% para o setor.
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Ao longo do ano, a previsão foi sendo revisada para baixo, chegando a 2,6% na última atualização, em outubro. Ainda assim, o desempenho final ficou abaixo desse patamar.
A Anfavea, associação das montadoras, também reduziu suas projeções ao longo do ano. A expectativa inicial era de crescimento de 6,3% nas vendas de veículos 0 km em 2025, revisada para 5% em agosto.
Juros elevados freiam o mercado
Segundo a Fenabrave, o principal fator que limitou o crescimento do setor foi a elevação dos juros, que encareceu o crédito para a compra de veículos.
Em contrapartida, a expansão do emprego e da renda, as vendas para locadoras e os descontos no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para modelos de entrada, no âmbito do programa Carro Sustentável, ajudaram a sustentar o volume de emplacamentos ao longo do ano.
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Apesar do resultado fraco no acumulado, dezembro apresentou desempenho expressivo. No último mês de 2025, foram licenciadas 279,4 mil unidades, alta de 8,6% em relação a dezembro de 2024 e de 17,1% frente a novembro. Foi o maior volume mensal desde dezembro de 2014.
Ainda assim, o setor não conseguiu recuperar o nível pré-pandemia. Em 2019, o mercado brasileiro vendeu cerca de 100 mil veículos a mais do que em 2025.
Vendas de motos batem recorde
O mercado de motocicletas registrou recorde em 2025. Foram vendidas 2,2 milhões de unidades no ano, crescimento de 17,1% em relação a 2024, segundo a Fenabrave. Pela primeira vez em mais de duas décadas, as vendas de motos superaram as de carros de passeio no País.
Em dezembro, os emplacamentos de motocicletas somaram 193,2 mil unidades, alta de 27,2% na comparação anual e de 7% frente a novembro. No acumulado do ano, foram vendidas cerca de 200 mil motos a mais do que carros de passeio.
A Fenabrave aponta que o avanço reflete a expansão dos serviços de entrega, além da busca dos consumidores por veículos com menor custo de aquisição, manutenção e consumo de combustível.
Projeções para venda de veículos em 2026
Para 2026, a Fenabrave projeta crescimento de 3% nas vendas de veículos 0 km, com expectativa de 2,77 milhões de unidades comercializadas. A estimativa considera a perda de fôlego da atividade econômica, juros ainda elevados e aumento da inadimplência.
Em apresentação à imprensa, a economista Tereza Fernandez, responsável pelo cenário macroeconômico da entidade, destacou que o crescimento das concessões de crédito para pessoas físicas recuou de 31,4% em outubro para próximo de zero nos meses seguintes.
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A Fenabrave trabalha com expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) entre 1,3% e 1,5% em 2026. A projeção considera a taxa Selic recuando de 15% para cerca de 13% até o fim do ano.
Segundo a entidade, o desempenho pode superar as estimativas caso o marco das garantias amplie a oferta de crédito e reduza os custos de financiamento.
Caminhões, ônibus e máquinas agrícolas
No segmento de caminhões, a Fenabrave estima alta de 3,5%, com 114,8 mil veículos vendidos, apoiada por uma linha de crédito especial de R$ 10 bilhões e pela expectativa de safra agrícola robusta. As vendas de ônibus devem crescer 3%, alcançando 29,7 mil unidades.
A associação também projeta novo recorde para o mercado de motocicletas, com crescimento de 10% e vendas estimadas em 2,42 milhões de unidades em 2026.
No segmento de máquinas agrícolas, a Fenabrave prevê crescimento de 3,4% nas vendas neste ano, impulsionado por juros mais baixos em linhas do Plano Safra, uso de consórcios e expectativa de boa produção agrícola.
Em novembro, as vendas de tratores e colheitadeiras recuaram na comparação mensal e anual, mas o acumulado de janeiro a novembro ainda mostra crescimento em relação ao ano anterior.


