Após três cortes consecutivos, o Federal Reserve (Fed) decidiu manter a taxa básica de juros dos Estados Unidos no intervalo entre 3,5% a 3,75% ao ano. O resultado do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) foi divulgado na tarde desta “super quarta” (28).
Stephen Miran, indicado pelo presidente Donald Trump, e Christopher Waller contrariaram os demais dirigentes e votaram em uma redução de 0,25 ponto percentual (p.p.).
Desde a posse de Trump, o banco central norte-americano se reuniu nove vezes para decidir o caminho da política monetária, mantendo as taxas em seis reuniões e cortando em três.
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Segundo o comunicado, indicadores recentes apontam que a economia continua em expansão consistente. A criação de empregos continua baixa, enquanto a taxa de desemprego apresenta sinais de estabilização. A inflação, no entanto, permanece acima do nível considerado adequado.
O banco reiterou que seu objetivo é alcançar o máximo emprego e manter a inflação em torno da meta de 2% no longo prazo.
Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, afirma que a decisão de manter os juros era amplamente esperada pelo mercado e que grande fator de mudança ao longo do ano deve vir da política.
Ele explica que a nomeação do próximo presidente do Fed deve alterar a dinâmica da condução da política monetária, concentrando as expectativas principalmente no segundo semestre. “A partir daí, o novo líder pode adotar uma postura mais alinhada aos interesses de Trump”, completa.
Reação dos mercados
Os mercados praticamente não se alteraram após o comunicado. Às 15h15 (horário de brasília), o Dow sobe 0,02%, S&P 500 cai 0,05 e Nasdaq registra alta de 0,12%.
No Brasil, o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, sobe 0,65%, aos 183.095 pontos. O dólar à vista sobe 0,2%, a R$ 5,22.
Manutenção já era amplamente esperada
Na abertura do mercado, às 11h40 (horário de brasília), quase 97,2% dos analistas apostavam na manutenção da taxa de juros dos EUA, segundo o monitoramento FedWatch, do CME Group (imagem abaixo).
Para a próxima reunião, que acontecerá em 18 de março, as apostas também são de manutenção (82,2%), enquanto 17,8% enxergam a possibilidade de corte, que levaria a taxa para o intervalo de 3,5% e 3,25% ao ano.
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Por que os juros dos EUA subiram tanto nos últimos anos?
Com os impactos da pandemia de Covid-19 e do conflito entre Rússia e Ucrânia, a inflação nos Estados Unidos acelerou significativamente, alcançando em 2022 o maior nível em quatro décadas, com taxa de 9,1%.
A taxa básica de juros é utilizada como instrumento para desacelerar a atividade econômica e, dessa forma, conter a inflação. Assim, à medida que os índices de preços avançaram, os juros nos Estados Unidos também foram elevados.
Em maio de 2023, após dez aumentos consecutivos, o Fed indicou ter alcançado uma faixa considerada estável para o controle inflacionário, situada entre 5,25% e 5,5% ao ano. As reduções nos juros começaram apenas em setembro de 2024, quando ocorreu o primeiro corte desde 2020.