O dólar fechou esta quarta-feira (11) em queda de 0,18% frente ao real, a R$ 5,19 — menor valor desde maio de 2024 —, apesar da resistência da moeda americana no exterior após a divulgação de dados fortes do mercado de trabalho dos Estados Unidos.
Operadores apontam que o real segue beneficiado pela rotação global de carteiras, movimento em que investidores transferem recursos entre países e classes de ativos em busca de melhores retornos.
Outro fator relevante é o chamado carry trade, estratégia em que investidores tomam recursos em países com juros baixos e aplicam em economias com juros mais altos, como o Brasil, para capturar o diferencial de taxas.
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Declarações do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, tiveram impacto limitado no câmbio. Galípolo reafirmou a perspectiva de início do ciclo de cortes de juros em março, utilizando o termo “calibragem” para descrever o processo de ajuste gradual da política monetária.
Payroll forte limita queda global do dólar
No exterior, o dólar apresentou estabilidade após a divulgação do payroll (relatório de empregos). O indicador mostrou criação de 130 mil vagas em janeiro, acima da mediana de projeções, de 67 mil.
A taxa de desemprego caiu de 4,4% para 4,3%, enquanto o salário médio por hora subiu 0,41%, também acima do esperado.
Segundo ferramenta de monitoramento do CME Group, o mercado passou a apostar majoritariamente em cortes de juros apenas a partir de junho, e não mais em março.
O índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, ficou próximo da estabilidade, em torno de 96,800 pontos.
Confira o gráfico DXY (em tempo real):
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Eleições e fluxo externo influenciam mercado
A divulgação de pesquisa Genial/Quaest sobre a corrida presidencial também teve efeito limitado sobre o dólar. O levantamento mostrou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lidera os cenários eleitorais, mas com redução da diferença em eventual segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro.
Parte do mercado avalia que uma eventual mudança de governo poderia levar a ajustes nas contas públicas, reduzindo o risco fiscal e fortalecendo ativos brasileiros. Ainda assim, o sócio e presidente do conselho do BTG Pactual, André Esteves, afirmou que o fluxo recente indica menor sensibilidade do mercado ao cenário eleitoral.
“Entrou mais dinheiro na Bolsa brasileira do que no ano passado inteiro. As eleições se tornaram menos relevantes para a crença de médio e longo prazo no país”, disse.