O governo do Uruguai “bateu o martelo” e manteve, nesta quarta-feira (18), a decisão de barrar a fusão entre a Athn Foods Holdings SAU (controlada pela Minerva) e a Marfrig.
Em nota, à qual o Monitor do Mercado teve acesso, a Comissão de Promoção e Defesa da Concorrência (CPDC) uruguaia justifica que a fusão traria risco de uma concentração excessiva no mercado de carne bovina no país. Em maio, a entidade já sinalizava que não autorizaria a compra.
Minerva afunda enquanto Marfrig decola
A decisão da autoridade uruguaia parece ter agradado investidores da Marfrig, fazendo suas ações MRFG3 decolarem nesta quarta-feira (18). às 13h, os papéis registravam alta de 4%.
Ao mesmo tempo, os acionistas da Minerva sentiram que a empresa saiu perdendo com a trava à negociação. Suas ações BEEF3 já caem mais de 5,1% na Bolsa brasileira, no mesmo horário.
Caso a transação avançasse, a Minerva passaria a controlar cerca de 43% do mercado de abate de bovinos, podendo alcançar 60% caso utilizasse a capacidade ociosa das plantas adquiridas, segundo o órgão.
A operação visava à compra de três frigoríficos uruguaios — Establecimientos Colonia S.A., Inaler S.A. e Presteott International S.A. — e de outros ativos relacionados.
A Minerva informou, em comunicado enviado à CVM (Comissão de Valores Mobiliários), que irá analisar os termos da decisão e avaliar possíveis medidas legais cabíveis para recorrer.
Argumentos da Minerva e da Marfrig
A Minerva contestou a decisão, alegando que o órgão utilizou critérios inadequados, como diretrizes da Federal Trade Commission (FTC) e do Departamento de Justiça dos Estados Unidos. A empresa também argumentou que o mercado relevante foi definido de forma equivocada, excluindo fatores como exportação de gado vivo e a pressão competitiva de outras proteínas.
A Marfrig defendeu que a operação não eliminaria sua competitividade no setor, uma vez que sua principal planta no Uruguai, localizada em Tacuarembó, não fazia parte do acordo.
Entidades locais, como a Associação Rural do Uruguai, apoiaram a decisão do governo, destacando que a fusão poderia prejudicar pequenos produtores e reduzir a concorrência no mercado interno.

