O preço do petróleo registra forte queda acima de 8% nesta sexta-feira (4), influenciado pela decisão da China de impor tarifas adicionais de 34% sobre produtos dos Estados Unidos a partir de 10 de abril, conforme comunicado da Comissão Tarifária do Conselho Estatal divulgado nesta sexta-feira.
A medida é uma retaliação às sobretaxas aplicadas pelo governo americano, elevando as preocupações com a demanda global pela commodity.
A desvalorização se intensificou ao longo da manhã. Os contratos futuros do Brent iniciaram o dia em queda de US$ 4,75, ou 6,77%, para US$ 65,39 por barril, enquanto os futuros do WTI caíam US$ 4,91, ou 7,33%, para US$ 62,04.
Por volta das 11h50 (horário de Brasília), o contrato do Brent para junho caía 8,06%, sendo negociado a US$ 64,53 por barril. No mesmo período, o WTI para maio recuava 8,83%, a US$ 61,11.
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A queda coloca ambas as referências a caminho das maiores perdas semanais percentuais desde 2021 durante a pandemia, afetando o mercado de energia e gerando preocupação entre investidores.
Risco da guerra comercial para a economia global
A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, alertou que as tarifas de reciprocidade entre China e EUA representam um “risco significativo” para a economia mundial.
Segundo especialistas, a escalada na guerra comercial pode impactar o crescimento global e reduzir a demanda por commodities, incluindo o petróleo.
Ole Hansen, chefe de estratégia de commodities do Saxo Bank, destacou: “A resposta agressiva da China praticamente confirma que estamos caminhando para uma guerra comercial global, que prejudicará o crescimento econômico e a demanda por commodities importantes, como o petróleo bruto”.
Opep+ aumenta produção de petróleo e revisa projeções
Outro fator que pesou sobre os preços foi a decisão da Opep+ (Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados) de aumentar a produção em 411 mil barris por dia (bpd) em maio, acima dos 135 mil bpd anteriormente previstos.
As previsões de preço também foram revisadas. Analistas do Goldman Sachs reduziram suas estimativas para os valores da commodity em dezembro de 2025, com o Brent sendo projetado a US$ 66 e o WTI a US$ 62, cortes de US$ 5 em relação à previsão anterior.
Queda do petróleo impacta ativos brasileiros
O temor de uma desaceleração global impactou ativos de empresas ligadas ao setor de energia. Na Bolsa de Valores brasileira (B3), as ações da Petrobras (PETR4) recuam 4,44%, sendo cotadas a R$ 34,40, às 11h16 (horário de Brasília). As ADRs da estatal negociadas em Nova York já recuavam cerca de 5% no pré-market.
Outras empresas do setor de energia também registraram quedas expressivas, como Prio (PRIO3): -10,07%, a R$ 33,11; PetroRecôncavo (RECV3): -6,82%, a R$ 14,65 e Brava (BRAV3): -14,20%, a R$ 18,08, refletindo o impacto direto da desvalorização do petróleo nos ativos brasileiros.
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Oportunidades para o mercado
Apesar do pessimismo, alguns investidores buscam alternativas de proteção. Segundo Agnello, “um ativo que tende a se beneficiar em momentos globais como esses é o ouro. O metal sempre serviu como um ativo de hedge, ou seja, proteção de patrimônio”.
O cenário também pode abrir espaço para empresas que exportam petróleo para a China, já que as tarifas impostas atingem diretamente o petróleo vindo dos EUA.