A ministra das Relações Exteriores da Alemanha, Annalena Baerbock, disse que o país está no meio de uma “guerra híbrida” com a Rússia à medida que o conflito de Moscou na Ucrânia agrava a crise energética da Europa.
“Estamos encarando agora na Alemanha a questão de que se não há gás vindo através do Nord Stream 1 … temos que decidir qual instituição pode ser cortada da rede”, disse Baerbock à CNBC durante a Cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), em Madri, capital da Espanha.
A Rússia alega falta de peças de turbina que estavam presas no Canadá, devido às sanções ocidentais, pelo corte no fornecimento. Autoridades e analistas europeus rejeitaram a explicação e chamaram as restrições de um movimento político para retaliar a Europa pelas sanções.
A Alemanha é particularmente dependente do fornecimento de gás russo através de seu gasoduto Nord Stream 1, importando 59,2 bilhões de metros cúbicos em 2021. O país planejava dobrar esses suprimentos com um segundo gasoduto, o Nord Stream 2, mas suspendeu esses planos pouco antes da Rússia invadir a Ucrânia no dia 24 de fevereiro.
Desde então, Berlim declarou a intenção de reduzir sua dependência da energia russa num futuro próximo. A Alemanha espera parar as importações de carvão e petróleo da Rússia até o final deste ano e acabar com sua dependência de gás do país até meados de 2024.
No início de 2022, a Alemanha importou quase 55% de seu gás natural da Rússia. Até o momento, essa participação foi reduzida para 40%. Berlim considera o gás natural do Catar, dos Estados Unidos e de outros países como alternativas potenciais às importações da Rússia.
A oposição alemã no Parlamento afirmou nesta semana que as discussões do Ministro da Economia, Robert Habeck, com o Catar foi “até agora ineficaz”. Em março, Habeck visitou Doha e anunciou uma parceria energética Alemanha-Catar de longa duração, mas ainda não há confirmações sobre o tempo e o volume do fornecimento que seria acordado.
Darlan de Azevedo / Agência CMA
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