O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, encerrou a sessão desta quinta-feira (22) em queda de 0,44%, aos 137.272,59 pontos, fortemente pressionado pelas decisões político-econômicas do governo.
Durante o pregão, o índice teve um bom desempenho, guiado pela notícia divulgada pelo Valor Econômico, de que o governo faria um contingenciamento de R$ 31,3 bilhões no orçamento, medida para reduzir gastos públicos e cumprir metas fiscais.
No entanto, declarações do ministro dos Transportes, Renan Filho, indicando que o governo aumentaria a alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) como parte do esforço para atender ao novo arcabouço fiscal estressou o mercado, impactando diretamente no fechamento negativo do Ibovespa e de ações do setor financeiro.
Banco do Brasil (ON) caiu 0,83%, Santander (Unit) recuou 0,80% e Itaú (PN) perdeu 0,69%. Apenas o Bradesco terminou com leve alta: ON +0,15% e PN +0,26%.
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Nesta sexta-feira (23), o mercado doméstico deve repercutir as mudanças na cobrança do IOF, ainda que o governo tenha recuado em parte das medidas para aplicações de investimentos de fundos nacionais no exterior após fortes críticas do mercado. Com o passo atrás, a alíquota zero seria mantida.
No fim da noite, clientes de plataformas digitais de câmbio e de bancos com contas globais teriam recebido notificações incentivando a compra de moeda estrangeira e alarmando sobre os últimos instantes com o IOF em 1,1%, conforme publicado pela CNN.
Isso ocorreu porque a partir da meia-noite desta sexta-feira, o imposto já subiria para 3,5%, segundo determinação do governo.
Ainda antes de meia-noite, a Fazenda publicou na rede social X: “O ministro da Fazenda informa que, após diálogo e avaliação técnica, será restaurada a redação do inciso II do art. 15-B do Decreto nº 6.306, de 14 de dezembro de 2007, que previa a alíquota zero de IOF sobre aplicação de investimentos de fundos nacionais no exterior”.
Os reajustes anunciados para outros casos, no entanto, devem continuar em vigor.
No mercado internacional, a sexta-feira é de agenda esvaziada. Destaque, no entanto, às vésperas do feriado de Memorial Day nos Estados Unidos, para o horário reduzido do mercado de títulos, que fecha mais cedo, às 15h.
Repercutem, ainda, as falas dos membros do Federal Reserve (Fed) sobre a aprovação do projeto tributário de Trump nas expectativas dos juros.
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Manchetes desta manhã
- Após repercussão negativa, governo revoga parte do decreto que subiu IOF (Valor)
- Com gasto em alta e receita frustrada, governo eleva IOF e congela R$ 31,3 bi (O Globo)
- Câmara gastou R$ 80 mil em passagens a NY para Lira, que desistiu da viagem (O Globo)
- TJMG suspende liminar que impedia venda de 4 hidrelétricas da Cemig (Valor)
Mercado global
As Bolsas da Europa abriram a sessão com desempenho misto, com dados da região e queda nos rendimentos dos títulos.
Os rendimentos dos títulos de referência dos governos dos EUA e da Europa, com vencimento em 10 anos, caem após terem subido no início desta semana, quando a Câmara dos EUA aprovou um amplo projeto de lei sobre impostos e gastos.
Na Ásia, os índices encerraram a semana também de forma mista, acompanhando dados econômicos e negociações entre EUA e China.
O Ministério das Relações Exteriores da China afirmou que Pequim e os EUA concordaram em manter a comunicação aberta após um telefonema diplomático entre o vice-ministro Ma Zhaoxu e o vice-secretário de Estado dos EUA, Kurt Campbell, aliviando preocupações geopolíticas
Na China, o Banco Popular injetou 500 bilhões de yuans no mercado por meio de sua linha de crédito de médio prazo de um ano.
Em Nova York, os índices futuros abriram com desempenho, ainda refletindo as preocupações com o cenário fiscal. Dow Jones Futuro: -0,12%; S&P 500 Futuro: -0,06% e Nasdaq Futuro: -0,09%.
Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro -0,1%
- FTSE 100 estável
- CAC 40 -0,4%
- Nikkei 225 +0,5%
- Hang Seng +0,2%
- Shanghai SE Comp. -0,9%
- MSCI World +0,2%
- MSCI EM +0,5%
- Bitcoin estável a US$ 111045,38
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Commodities
- Petróleo: caminha para primeira perda semanal desde abril com expectativas de aumento de oferta da OPEP+. O brent/jul sobe 0,12%, a US$ 64,52 e o WTI/jul valoriza 0,11%, a US$ 61,27
- Minério de ferro: o contrato futuro cai 0,8% em Singapura, a US$ 98,2 a tonelada.
Cenário internacional
Nos Estados Unidos, destaque para os dados sobre as vendas de casas novas em abril, às 11h, e para discursos dos membros do Fed ao longo do dia, como Austan Goolsbee, Alberto Musalem e Lisa Cook.
Ontem, Christopher Waller disse que “caso as tarifas fiquem mais próximas de 10%, a economia está em boa forma para o segundo semestre”.
Waller também sinalizou que, caso as tarifas sejam reduzidas em relação ao nível atual, o Fed poderá estar em posição de iniciar cortes de juros ainda este ano.
Cenário nacional
No Brasil, as atenções estão voltadas para o desdobramentos sobre as mudanças em torno das alíquotas do IOF, que teve reação negativa no mercado, com alta de 1% do dólar, para acima de R$ 5,70.
No pré-mercado de Nova York, o EWZ, principal ETF brasileiro negociado por lá, recua 1,24% agora pela manhã.
Após recuar em algumas medidas, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, faz pronunciamento agora pela manhã, além das falas do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, que participa de evento da FGV, às 14h, e pode comentar as medidas do IOF.
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Destaques no mercado corporativo
- Vale: fará oferta pública de R$ 6 bilhões em debêntures simples, com prazos de 7, 10 e 12 anos.
- Petrobras: recebeu autorização da ANP para nova plataforma no Campo de Mero e retomou fábricas da UNIGEL após acordo.
- Sabesp: teve recomendação rebaixada pelo UBS BB, mas preço-alvo elevado para R$ 136.
- Raízen: teve participação do Norges Bank elevada para 5,001% das ações preferenciais.
- Banco Pan: teve mudança na diretoria: Leonardo Scutti saiu e André Calabro acumula funções.
- Patria: adquiriu cerca de R$ 2,5 bilhões em fundos imobiliários da Genial












