“Acontecimentos recentes aumentaram ainda mais a chance de que haja um fim completo das exportações russas de gás para a Alemanha. Se isso ocorresse, levaria a uma queda substancial na produção manufatureira e tornaria uma recessão que já achamos provável no final deste ano uma quase certeza”. Essa é a análise de Andrew Kenningham, economista-chefe para a Europa da Capital Economics.
Por conta disso, a decisão russa de apertar ainda mais o fornecimento de gás para a Europa fez os preços do gás natural no atacado subir de 80 euros na metade de junho para 132 euros hoje. “Isso aumentará os preços de varejo para fabricantes e residências, e também aumenta o espectro de um fim total da exportação de gás da Rússia, o que teria um impacto muito maior”.
Os analistas da Capital não acreditam que a Rússia corte totalmente as exportações de gás, mesmo porque isso já vem dificultando a vida dos europeus sem custo imediato para a Rússia. “De fato, o valor das exportações russas de energia para a Europa aumentou este ano. Mas uma paralisação total das exportações russas de gás parece cada vez mais provável”.
No caso de suspensão da exportação de gás, a Alemanha se veria obrigada a racionar seu consumo. Ainda não é possível prever a extensão do racionamento, porque não se sabe a
quantidade de energia vinda de fontes renováveis é produzida atualmente. “O ministro da Economia da Alemanha, Robert Habeck, sugeriu na semana passada que, em um cenário negativo plausível, poderia haver um déficit de 107 em 1.003 terawatts-hora, ou seja, cerca de 10% do consumo total de gás alemão”.
Para reduzir 10% do consumo, as indústrias alemãs devem reduzir sua capacidade de produção. O racionamento para os consumidores residenciais e comerciais seria menor mas eles foram responsáveis por 44% do consumo em 2020. “Esperamos que grande parte do ônus recaia sobre as empresas com maior intensidade de energia e gás, que estão principalmente nos setores de produtos químicos, metais básicos, produtos de metal refinado e vidro”.
Os analistas da Capital estimam que, caso haja um racionamento de 10% do consumo, o impacto na produção industrial seria uma queda de 5% ou mais. O PIB poderia reduzir em 1%. “Achamos que a Alemanha está enfrentando uma contração em seu setor manufatureiro e no PIB geral nos próximos trimestres, mesmo que a Rússia continue fornecendo gás para a Europa. Uma proibição total das exportações russas de gás simplesmente tornaria uma recessão ainda mais provável e tornaria qualquer recessão mais profunda”, concluem.
Vanessa Zampronho / Agência CMA
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