A Bolsa fechou em queda de 1,44% empurrada pelas blue chips- empresas de peso no índice, com o temor dos investidores de uma recessão nos Estados Unidos após das falas do presidente do Federal Reserve (Fed, banco central norte americano), Jerome Powell, sinalizando essa possibilidade.
Atrelado a isso, o ambiente interno também é preocupante com o governo adotando medidas para baixar o combustível e podendo refletir no fiscal.
O principal índice da B3 caiu 1,44%, aos 98.080,34 pontos. O Ibovespa futuro com vencimento em agosto perdeu 1,21%, aos 99.580 pontos. O giro financeiro foi de R$ 24,5 bilhões. A mínima no interdiário foi de 97.775,07 pontos. Em Nova York, as bolsas fecharam em alta.
Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos, afirmou que a Bolsa está sendo impactada pelos papéis ligados às commodities e o setor financeiro.
“As commodities estão sofrendo por conta da possível recessão com as falas do Powelll [presidente do banco central norte-americano] de ontem e hoje em que reafirma o combate aos preços e, se a inflação persistir, ele será mais enérgico. O mercado começou a colocar um peso maior nesse cenário de possível recessão em um dia em que a China anunciou medidas para tentar reaquecer a economia deles e o minério subiu, mas o que prevaleceu foi a aversão ao risco”.
E acrescentou que as commodities acabam sendo menos atrativas não pelo preço, mas pela diminuição da demanda.
O setor financeiro também cai porque a gente segue com inflação elevada, ainda que o Campos Neto [Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central] tenha dado sinais e o mercado acredite que o ritmo de aperto monetário vai se estancar em entre 13% e 13,75%.
Mais cedo, André Luzbel, head de renda variável da SVN Investimentos, comentou que a sessão de hoje está volátil com as empresas mais bem posicionadas para inflação e juros altos, como commodities e bancos, puxando o índice para baixo e as ações de companhias de consumo subindo.
“O dia está extremamente confuso porque tem essa disparidade entre consumo interno, setor bancário e commodities. Ao mesmo tempo o dado de arrecadação ajudou a curva de juros, o que favorece o consumo (empresas) interno”. Em maio o país arrecadou R$ 165,3 bilhões, alta de 4,13% em maio, um recorde para o mês.
O head de renda variável da SVN Investimentos disse que apesar de as varejistas estarem em alta hoje, ele enxerga um cenário mais favorável para os bancos e commodities.
“Acreditamos em um copo meio vazio para consumo interno e copo meio cheio para commodities que se beneficiam de uma inflação maior e setor financeiro que se favorece de juros mais elevados”.
Soraia Budaibes / Agência CMA
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