A Bolsa abriu em alta nesta quarta-feira acompanhando as bolsas no exterior, com os operadores de mercado buscando recuperação enquanto aguardam a decisão do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do Federal Reserve (Fed), às 15h00 (horário de Brasília), sobre a intensidade da elevação da taxa de juros diante da inflação acima do esperado nos Estados Unidos. O mercado espera um aumento de 0,75% e um discurso bastante duro do presidente da autoridade monetária, Jerome Powell, às 15h30.
Às 11h07 (horário de Brasília), o principal índice da B3 tinha alta de 1,75%, aos 103.855,77 pontos. O Ibovespa futuro com vencimento em junho subia 1,70%, aos 103.895 pontos. O giro financeiro era de R$ 4,9 bilhões. Em Nova York, os índices operavam em alta e na Europa a maioria das bolsas estavam no campo positivo.
Por aqui, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) também deve anunciar o aumento dos juros amplamente esperado de 0,50% e que a taxa Selic parta de 12,75% para 13,25%. Os operadores de mercado ficam atentos à comunicação da autoridade monetária em relação aos ajustes na próxima reunião, em agosto. Os analistas de mercado esperam que a taxa permaneça nesse nível até o fim do ano.
Ainda no cenário local, os investidores seguem atentos ao noticiário associado à questão dos preços dos combustíveis, após notícias de que o governo pediu para a Petrobras postergar o aumento do preço dos combustíveis e os desdobramentos da aprovação na Câmara do texto base do projeto de lei parlamentar 18/2022, que estabelece um limite do ICMS.
“Todas as atenções de hoje estarão de olho na reunião da política monetária do Fed. A incerteza em relação a que aumentos de 50, 75, 100 pontos-base foram cogitados pelo mercado para essa reunião de hoje e para a próxima, mostrando o quanto estão abertas as possibilidades. Essa divergência mais que justificou o movimento de baixa dos mercados dos últimos dias, que se sentiu bastante no escuro em relação à decisão desta quarta-feira”, comentou o analista Filipe Villegas, em seu podcast matinal.
O Fed precisa retomar sua credibilidade de combate à inflação, por isso os investidores
avaliam postura da autoridade mais do que a decisão.
Já em relação à comunicação do Copom, os analista esperam uma comunicação mais certeira do órgão para reduzir fatores de risco e volatilidade no mercado de juros brasileiro.
“Avaliamos que, dadas as surpresas recorrentes, a autoridade deveria se colocar de maneira mais neutra, mas essa não vem sendo a atitude da autoridade que tem preferido apontar para uma interrupção gradativa do ciclo. Assim, não é remota a chance da autoridade apontar para uma diminuição no ritmo de avanço, com eventual interrupção”, comentou o economista-chefe da Ativa Investimentos, Étore Sanchez.
Entre as justificativas teóricas para tal movimento, a Ativa aponta o fato de que na reunião de agosto a autoridade terá parte do horizonte relevante mirando 2024.”Ao mirar 2024 o BC encontrará um desvio inflacionário baixista, a despeito do avanço das expectativas de 2023. Estimamos que o BC aponte para projeções condicionais de 3,8% para 2023 e 2,5% para 2024″, comenta Sanchez, que também acredita que nenhuma das alterações legais, que ainda estão em transito no congresso, deverá ser considerada nessas projeções de IPCA.
“Outro foco da autoridade, visando a desaceleração/interrupção do ciclo, deverá ser a alegação de que a política monetária opera em defasagem e deverá impactar mais fortemente no segundo semestre desse ano. Avaliamos que a autoridade não apontará para riscos políticos e não pesará a mão sobre os potenciais problemas fiscais no horizonte.Por fim, o Copom deverá sugerir que o ritmo de aperto monetário global como positivo para sua atribuição inflacionária, tendo em vista que parte do vivido por aqui é importado de outras localidades”, finaliza.
Para Sérgio Zanini, sócio e gestor da Galapagos Capital, diante da expectativa do mercado de maior alta de juros em décadas nos Estados Unidos, o Fed pode elevar em 50 pontos-base e sinalizar altas de 75 pontos-base nas próximas reuniões. “Para o Copom, o nosso call é de 50 pontos hoje à noite, com o mercado prevendo uma extensão do ciclo de alta. Inicialmente, tínhamos a expectativa de que essa seria a última alta do ciclo, mas nosso nível de convicção caiu em função da alta do dólar nos últimos dias e de um cenário desafiador para a inflação no Brasil. De qualquer forma, achamos que estamos bem próximos do fim do ciclo de alta de juros no Brasil.”
Cynara Escobar / Agência CMA
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