O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil) anunciou a criação de um fundo estadual de R$ 312 milhões para oferta de crédito a empresários que atuam em setores considerados estratégicos para o estado. O anúncio ocorreu durante a cerimônia de lançamento na sede da B3, em São Paulo, nesta terça-feira (5).
Segundo Caiado, os recursos têm como origem o ICMS sobre exportações e não sofrerão reajustes nem correção monetária. A estrutura será viabilizada sem o uso de recursos do Tesouro estadual.
“Esse fundo é algo moderno, mostra como podemos usar a criatividade sem um real do Tesouro, de dinheiro público. Usamos aquilo que os empresários têm de crédito das exportações e juntando com o mercado para atender o Estado de Goiás”, afirmou o governador.
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A operação terá contrapartida da iniciativa privada e de bancos de investimento. A taxa de juros ao tomador será de até 10% ao ano.
Caiado propõe alternativa ao crédito federal
A iniciativa é apresentada como alternativa às linhas de crédito federais, como BNDES e Plano Safra. “É a menor taxa de juros que se tem no país. Menor do que o BNDES empresarial, menor do que os fundos constitucionais”, afirmou Caiado.
Segundo o governo de Goiás, a estrutura contará também com a participação de recursos de FIAGROs — fundos de investimento no agronegócio que captam recursos de pequenos investidores e oferecem isenção de IR (Imposto de Renda) para quem aplica.
As empresas envolvidas com exploração mineral não receberão crédito de ICMS. A estrutura será viabilizada por FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios) criados para cada setor prioritário, como agroindústrias, bioenergia, mineração (com foco em verticalização e beneficiamento) e infraestrutura elétrica.
Os primeiros FIDCs estão em fase de estruturação, com lançamento previsto entre 60 e 90 dias. Como não há uso de dinheiro público, a escolha das gestoras dos fundos será feita pelas empresas participantes, não pelo governo.
Conheça a estrutura do fundo de Goiás na B3
Atualmente, Goiás tem R$ 314 milhões em créditos de ICMS a serem liberados. Segundo Sérvulo Nogueira, secretário da Fazenda de Goiás, os seguintes setores são maiores detentores de créditos, nesta ordem: “empresas de proteína animal, carnes e aves, depois ferro e ligas, depois etanol e açúcar.”
As empresas com créditos acumulados poderão utilizá-los como base para uma carta de crédito emitida pelo governo estadual, que poderá ser vendida a empresas com débitos de ICMS.
Os valores obtidos deverão ser obrigatoriamente alocados na cota subordinada dos FIDCs, que absorve primeiro os riscos da operação.
O capital privado (de investidores ou das próprias empresas) será alocado na cota sênior, com exigência de, no mínimo, 50% de subordinação. A expectativa é captar cerca de R$ 600 milhões no mercado.
“Esse dinheiro será remunerado a inflação, por exemplo”, explicou Erik Figueiredo, diretor-executivo do Instituto Mauro Borges e um dos idealizadores da estrutura.
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Goiás conta com outras opções de financiamento
A criação do fundo integra um pacote de medidas preventivas anunciado em julho pelo governador Ronaldo Caiado para mitigar os impactos econômicos da nova tarifa imposta pelos Estados Unidos.
Além do fundo lançado na B3, o pacote inclui dois outros instrumentos financeiros:
- Fundo de Estabilização Econômica do Estado de Goiás: reserva destinada a garantir a continuidade de serviços essenciais em momentos de crise.
- Fundeq (Fundo de Equalização para o Empreendedor): fundo público de natureza financeira, vinculado à Goiás Fomento.











