As taxas dos contratos futuros de Depósitos Interfinanceiros (DI) operam em forte alta após a divulgação do IPCA de março surpreendentemente negativo.
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O índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 1,62% em março na comparação com fevereiro, acelerando-se em relação à alta apurada no período anterior (+1,01%), segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É a maior variação para um mês de março desde 1994 (42,75%).
Segundo Rachel Sá, chefe de economia da Rico Investimentos, o resultado foi puxado especialmente por alimentos consumidos dentro de casa (com destaque para leite, pães e óleos e gorduras) e por combustíveis.
O dólar virou e passou a operar misto. Somado ao aumento mais agressivo dos juros nos Estados Unidos, o real perde força novamente, após chegar a operar a operar abaixo dos R$ 4,60 no início da semana, em movimento de correção.
De acordo com o head de tesouraria do Travelex Bank, Marcos Weigt, “tivemos um ciclo de valorização quase que ininterrupta do real. Os fundamentos técnicos continuam os mesmos, mas além de falta de opção de países emergentes para aportar este capital, sobrando apenas Brasil, México e África do Sul”.
A Bolsa reduziu a queda, após o susto com a inflação em março-subiu 1,62%, pior que a estimativa do mercado, mas as ações de consumo seguem em forte retração com a curva de juros futuros valorizadas. Às 13h48 (horário de Brasília), o principal índice da B3 caía 0,13%, aos 118.704,42 pontos. O Ibovespa futuro com vencimento em abril perdia 0,14%, aos 118.780 pontos. O giro financeiro era de R$ 14,7 bilhões. Em Nova York, as bolsas operavam mistas. As ações da Via (VIIA3), Americanas SA (AMER3), Magazine Luiza (MGLU3) caíam respectivamente 6,64%, 6,13% e 5,48%. José Costa Gonçalves, analista da Codepe Corretora, disse que o mercado está absorvendo o IPCA. “A alta assustou os investidores e reflexo foi sentido nas ações de consumo”. Costa não acredita que o Banco Central (BC) mude suas perspectivas para a inflação. “O Campos Neto [presidente do Banco Central] tinha sinalizado que o pico seria em abril, e com a redução na tarifa de energia elétrica isso deve melhorar”.
Veja como estava o mercado por volta das 13h30 (de Brasília):
IBOVESPA: 118.563 pontos (-0,25%)
DÓLAR À VISTA: R$ 4,7430 (+0,04%)
DI JAN 2023: 12,935 (+1,57%)
DI JAN 2027: 11,525(+2,48%)
Pedro de Carvalho / Agência CMA
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