O escândalo que levou à liquidação do Banco Master e à prisão do controlador Daniel Vorcaro abriu uma nova frente de preocupação sobre o padrão recorrente de fragilidades do mercado financeiro brasileiro, segundo apontou Marcos de Vasconcellos, CEO do Monitor do Mercado, em sua coluna na Folha de S.Paulo.
A sucessão de fatos envolvendo ativos sem lastro, propostas de compra controversas e aportes suspeitos de fundos de previdência reforça a percepção de que os problemas são mais profundos do que se imaginava.
Vasconcellos recupera uma frase dita pelo ministro do STF Teori Zavascki, em 2015, sobre a Lava Jato: “Onde se puxa uma pena, vem uma galinha”. Segundo ele, a metáfora traduz com precisão a sucessão de novos fatos envolvendo o Banco Master e seus desdobramentos.
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Irregularidades se acumulam no caso Master
Vasconcellos compara o caso a processos em que cada nova apuração revela mais ramificações. Entre os pontos já levantados pelas autoridades estão:
- tentativas de compra do banco por instituições públicas e privadas;
- suposta fabricação de crédito falso;
- aportes bilionários de fundos de previdência estaduais e municipais, feitos mediante lobby e sem garantias;
- uma segunda proposta de aquisição, por valores maiores, feita pelo grupo Fictor, divulgada horas antes da prisão de Vorcaro.
Ele destaca que esses fatos surgiram em poucos dias, mas não começaram agora — estavam ativos no mercado sem despertar reação proporcional.
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Casos recentes reforçam alerta sobre proteção ao investidor
Marcos argumenta que 2025 tem sido um teste contínuo para a confiança do investidor nas instituições responsáveis pela fiscalização do mercado financeiro.
Entre os episódios citados por ele:
- Oi: a companhia entrou duas vezes em recuperação judicial e, mesmo assim, não conseguiu se reestruturar, prejudicando mais de 230 mil investidores.
- Ambipar: pediu proteção contra credores após uma escalada de 3.000% em suas ações, movimento investigado por possível manipulação.
- Reag: alvo da Operação Carbono Oculto, que apura uso de estruturas financeiras ligadas à Faria Lima para lavagem de dinheiro do crime organizado.
- PDG Realty: divulgou um documento falso sobre uma suposta oferta de compra, fazendo suas ações dispararem. A CVM abriu investigação em fevereiro e, até o momento, não há decisão.
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Lentidão nas respostas preocupa
Vasconcellos afirma que a complexidade dos casos não elimina a necessidade de agilidade por parte dos órgãos reguladores, especialmente quando investidores menores são os mais atingidos. Segundo ele, a velocidade das investigações e punições tem sido insuficiente diante da repetição de problemas estruturais.
O CEO do Monitor conclui que o desafio para o investidor vai além do caso Master. Segundo ele, o momento exige acompanhamento atento das investigações e do julgamento das responsabilidades, para que “a conta chegue à mesa certa e a tempo de ser paga”.




