O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira, manteve a trajetória de alta durante o pregão desta segunda-feira (1º) e mesmo fechando em queda de 0,29%, aos 158.611,02 pontos, segue próximo de alcançar o melhor desempenho anual desde 2016.
O desempenho limitado do índice, segundo analistas, ocorreu em um cenário de cautela em meio à expectativa por dados econômicos durante a semana. No Brasil, o principal deles é o PIB do 3º trimestre, enquanto nos Estados Unidos investidores aguardam pela divulgação do principal dado de inflação do país (PCE).
Nessa sessão, o setor financeiro foi o principal destaque negativo que puxou o Ibovespa para baixo, com ações do Bradesco acumulando perda de 1,53% (PN).
Por outro lado, as bluechips (ações de maior peso no índice) ajudaram a conter perdas maiores: Petrobras valorizou 0,63% (ON) e 0,19% (PN), enquanto a Vale registrou alta de 0,77%. Entre as maiores altas, destaque para Eneva (+3,42%) e CVC (-3,72%) liderou as perdas do dia.
Já o dólar encerrou o dia em alta de 0,46% ante o real, cotado a R$ 5,36, impulsionado pela maior demanda por remessas ao exterior.
- Está com dúvidas sobre suas finanças? Fale agora com a Clara, a assistente virtual do Monitor do Mercado. Iniciar conversa
No mercado internacional, repercute o fato de Jerome Powell não ter abordado política monetária no evento desta segunda-feira à noite, no Hoover Institution. O presidente do Federal Reserve (Fed) já entrou no período de silêncio que antecede a reunião do Fomc, marcada para a próxima quarta-feira (10).
Nesta terça-feira (2), Michelle Bowman discursa às 12h, mas não deve tratar de política monetária, já que o Fed está em período de silêncio.
No CME Group, permanecem elevadas em 88% as apostas em um novo corte de 25 pontos-base ainda este ano. No entanto, dados de inflação dos EUA (PCE) de setembro previstos para esta sexta-feira (5) ainda podem influenciar as expectativas.
No Brasil, o mercado segue desafiando o tom hawkish de Gabriel Galípolo e mantém como dominante a aposta em corte da Selic no início de 2026.
Pela segunda vez em menos de uma semana, o presidente do BC afirmou nesta segunda-feira que pode voltar a elevar os juros, se necessário. Ainda assim, não conseguiu reduzir as apostas majoritárias em um corte de 25 pontos-base da Selic em janeiro.
Na agenda econômica, o destaque são os dados relacionados à produção industrial, com expectativa de retomar o crescimento em outubro, enquanto o governo tenta reduzir o clima de tensão no Congresso, que ameaça afetar a pauta econômica.
- Os melhores imóveis não chegam para todo mundo ao mesmo tempo. Entre no grupo de WhatsApp e receba ofertas exclusivas de imóveis de leilão e retomados.
Manchetes desta manhã
- Produtividade do trabalho na indústria cai 23% em 30 anos (Valor)
- Empresas correm para distribuir lucros e evitar novo imposto (O Globo)
- Governo deve afrouxar meta de estatais para ajudar Correios (Folha)
- Com Correios em crise, governo avalia mudar metas para estatais (Estadão)
- Aneel exige que Enel Rio explique empréstimos bilionários intragrupo (Valor)
Mercado global
As Bolsas da Europa avançam diante das expectativas para decisões relevantes de política monetária em dezembro, enquanto os índices seguem rumo a ganhos anuais robustos.
O mercado já atribui mais de 87% de probabilidade a um corte de 0,25 ponto percentual nos juros pelo Fed, enquanto o BoE também tende a reduzir a taxa, apoiado por sinais de desaceleração inflacionária e um crescimento econômico fraco.
Entre dados econômicos locais, a inflação da zona do euro avançou para 2,2% em novembro, enquanto a taxa subjacente permaneceu em 2,4% e o desemprego do bloco subiu para 6,4%.
Esses dados, somados à ata do BCE, mantiveram as expectativas do mercado praticamente estáveis, e investidores seguem sem prever mudanças na política monetária até 2026.
Na Ásia, os índices tiveram desempenho misto, com destaque para as ações de tecnologia, que puxaram os índices da Coreia do Sul e de Taiwan para cima, enquanto no Japão investidores ainda especulam sobre alteração ou não na taxa de juros do BoJ.
Os destaques ficaram com os índices Kospi, da Coreia do Sul, em +1,90%, e o índice Taiex, em Taiwan, em +0,81 e o índice Hang Seng, em Hong Kong, encerrou em alta de 0,24%.
Já as bolsas chinesas devolveram parte dos ganhos da véspera: Xangai recuou 0,42% e Shenzhen — mais exposta ao setor de tecnologia — caiu 0,69%. No Japão, Tóquio ficou praticamente estável, com leve baixa de 0,01%.
Em Nova York, os índices futuros buscam a estabilidade em meio às expectativas sobre um corte na taxa de juros pelo Fed ainda este mês.
Confira os principais índices do mercado:
• S&P 500 Futuro +0,2%
• FTSE 100 +0,3%
• CAC 40 +0,2%
• Nikkei 225 estável
• Hang Seng +0,2%
• Shanghai SE Comp. -0,4%
• MSCI World estável
• MSCI EM +0,3%
• Bitcoin +0,5% a US$ 86839,63
- Investir em café com estratégia profissional é possível — saiba como ativar o Copy Invest do Portal das Commodities.
Commodities
- Petróleo: opera próximo à estabilidade enquanto investidores ponderam os impactos dos ataques de drones ucranianos contra instalações de energia na Rússia e o aumento das tensões entre EUA e Venezuela.
No sábado, Trump afirmou que “o espaço aéreo acima e ao redor da Venezuela” deveria ser considerado fechado, adicionando incerteza ao mercado, já que o país é um importante produtor. Além disso, as atenções se voltam para as negociações de paz na Ucrânia, que podem abrir caminho para um aumento das exportações russas de petróleo bruto e derivados.
O Brent/fev tem leve queda de 0,05%, cotado a US$ 63,14 e o WTI/jan avança 0,02%, a US$ 59,33 - Minério de ferro: fechou em alta de 0,50% em Dalian, na China, cotado a US$ 113,22/ton.
Em Singapura, os contratos futuros estão estáveis, cotados a US$ 103,85/ton e o mercado à vista avança 0,23%, cotado a US$ 107,30/ton.
Cenário internacional
Nos EUA, em meio às expectativas para os juros americanos, os rendimentos dos Treasuries, que se movem inversamente aos preços, seguem com viés de queda, enquanto a T-Note de 10 anos, referência do mercado, opera próxima da máxima de duas semanas, em torno de 4,09%, segundo informações do BDM/PicPay.
Na agenda econômica, o relatório semanal de estoques de petróleo da API, que sai às 18h30, pode influenciar os preços da commodity em meio ao aumento das tensões entre Estados Unidos e Venezuela.
O mercado também observa o encontro entre os enviados do governo dos EUA, Steve Witkoff e Jared Kushner, com Vladimir Putin, em busca de possíveis caminhos para encerrar a guerra na Ucrânia.
Na zona do euro, a prévia da inflação ao consumidor de novembro veio um pouco acima do esperado, com alta anual de 2,2% ante consenso de 2,1%. A taxa de desemprego subiu para 6,4% em outubro, acima da projeção de 6,3%.
Cenário nacional
No Brasil, o foco é a divulgação da produção industrial de outubro, que deve recuar 0,1% na comparação anual e avançar 0,30% em relação ao mês anterior.
A indústria de transformação tende a mostrar queda anual de 1%, enquanto a extrativa deve crescer 4,9%. Também serão divulgados hoje os números de vendas de veículos pela Fenabrave.
Na agenda das autoridades, o presidente Lula participa da inauguração de obras no Recife e em Fortaleza e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, tem reunião às 11h com o presidente da Caixa Econômica Federal, Carlos Vieira.
Galípolo afirmou nesta segunda-feira que o BC não precisa criar “códigos” para indicar os próximos passos, sinalizando que o Comitê não vê necessidade de alterar a linguagem dos comunicados antes de eventualmente iniciar um ciclo de cortes.
- ⚡ A informação que os grandes investidores usam – no seu WhatsApp! Entre agora e receba análises, notícias e recomendações.
Destaques no mercado corporativo
- Vale: realiza hoje seu Dia do Investidor em Londres, momento em que deve detalhar prioridades estratégicas e reforçar compromissos com eficiência operacional e geração de valor.
- Carrefour Brasil: obteve aprovação em assembleia para cancelar o registro de companhia aberta categoria B, em uma movimentação que simplifica sua estrutura regulatória e reduz custos de compliance.
- Ultrapar: anunciou a distribuição de R$ 1,08 bilhão em dividendos intermediários, reforçando sua geração de caixa consistente e política de remuneração ao acionista.
- Isa Energia: conseguiu aval do BNDES e evitou o vencimento antecipado de financiamentos, garantindo estabilidade financeira enquanto trabalha para reequilibrar indicadores previstos para 2025.
- Rumo: teve o preço-alvo elevado pelo Citi, que reconhece boa execução operacional, mas ainda vê desafios no poder de precificação da companhia diante de um cenário logístico mais competitivo.
- Ambipar: demitiu 35 funcionários após identificar falhas graves de governança e agora implementa uma reestruturação profunda para tornar sua gestão mais enxuta, ágil e alinhada às melhores práticas.


