O dólar disparou nesta sexta-feira (5) e encerrou a sessão em alta de 2,29%, a R$ 5,43 — maior nível desde 16 de outubro —, após a notícia de que o senador Flávio Bolsonaro será o candidato do PL à Presidência da República em 2026.
A avaliação inicial de analistas é que a candidatura aumenta a probabilidade de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reduzindo as expectativas de mudanças na política fiscal a partir de 2027.
A percepção levou a um ajuste nos prêmios de risco — indicadores que medem a compensação exigida pelos investidores para assumir riscos no país.
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Na semana, a moeda acumulou avanço de 1,82%, revertendo parte das perdas de novembro. Em 2025, a queda do dólar ante o real diminuiu para 12,11%.
Fluxo cambial e fim de ano já pressionavam o dólar
Antes da notícia eleitoral, o dólar já operava em leve alta, influenciado pela saída de recursos do país, típica do período de remessas de lucros e dividendos ao exterior, e por ajustes técnicos após três sessões consecutivas de queda.
No exterior, moedas emergentes latino-americanas também recuavam, com exceção do peso mexicano.
Dólar sobe no exterior
Nos Estados Unidos, o índice DXY — que compara o dólar a seis moedas fortes — operava em leve alta no final da tarde, perto de 99 pontos. Confira o gráfico DXY (em tempo real):
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Analistas veem impacto eleitoral na precificação
Em fala do Broadcast, André Galhardo, economista-chefe da Análise Econômica, afirmou que a candidatura de Flávio Bolsonaro reduz a probabilidade de vitória da direita nas eleições de 2026, devido ao desgaste político do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo Galhardo, o mercado já pode estar antecipando um cenário de reeleição de Lula. Ele avalia, no entanto, que a reação foi desproporcional, uma vez que a discussão sobre uma reforma fiscal — incluindo revisão de gastos e ajustes estruturais — será inevitável para qualquer governo eleito.
“O desafio fiscal permanece relevante, independentemente de quem vencer”, afirma.



