O Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a taxa básica de juros (Selic) em 15% ao ano pela quarta reunião seguida. A decisão unânime, anunciada na noite desta “super quarta” (10), mantém a Selic no maior nível desde 2006.
As manutenções começaram em julho, após uma sequência de sete altas consecutivas, que marcaram a terceira maior série de aumentos da história.
No comunicado, o comitê afirmou que o atual cenário exige manutenção de uma política monetária “significativamente contracionista” — de juros elevados — por um período mais prolongado.
Apesar de um arrefecimento recente, a inflação permanece acima da meta de 3%. A projeção de inflação para o segundo trimestre de 2027 caiu de 3,3% para 3,2%.
- Está com dúvidas sobre suas finanças? Fale agora com a Clara, a assistente virtual do Monitor do Mercado. Iniciar conversa
Para o Copom, os indicadores de atividade mostram moderação, como apontado nos dados mais recentes do PIB do terceiro trimestre. Por outro lado, o mercado de trabalho permanece resiliente, mantendo pressões sobre salários e sobre os núcleos de inflação.
Em relação ao cenário internacional, o ambiente “segue incerto”, principalmente devido as recentes iniciativas dos EUA relacionadas à imposição de tarifas comerciais ao Brasil, que exige cautela de países emergentes.
No final de novembro, o presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, já havia defendido que a política monetária deveria seguir restritiva pelo “tempo que for necessário” para controlar a inflação. Ele também afirmou que até o momento nenhum dado que faça o BC mudar de direção, e reforçou que uma das virtudes do banco em 2025 foi “ser humilde”.
Projeções para 2026
Segundo pesquisa do BTG Pactual, 48,4% do mercado vê um corte na taxa Selic em janeiro de 2026, enquanto outros 43,5% acreditam que o ciclo de afrouxamento monetário deva começar somente em março.
Para o economista Maykon Douglas, o comunicado sugere que a autoridade monetária ainda não se decidiu sobre quando avaliará cortes nos juros, algo que Galípolo buscou sugerir em suas últimas aparições antes da reunião.
“Sigo acreditando que a redução deve começar em março, e não em janeiro. Penso que essa convicção [de tomar a decisão de cortas os juros] não virá a tempo de permitir um corte na reunião de janeiro”, prevê.
- A informação que os grandes investidores usam – no seu WhatsApp! Entre agora e receba análises, notícias e recomendações.
No entanto, Maykon afirma o resultado da inflação oficial (IPCA) — menor para novembro desde 2018 —, divulgada nesta “super quarta”, eleva a confiança do BC no processo de desinflação corrente.
Para o Itaú, a estratégia do comitê tem se mostrado adequada, sinalizando paciência e serenidade com seus passos em relação à evolução dos dados de atividade e inflação. A expectativa do banco é de um corte em janeiro de 2026, com redução de 0,25 ponto percentual (p.p.)
Como a Selic afeta meus investimentos?
A taxa Selic é conhecida como a taxa básica de juros, influenciando diretamente a economia do país e a vida das pessoas, e serve, principalmente, para controlar a inflação do país.
Quando a taxa aumenta, ajuda a desacelerar a economia e controlar a inflação. Quando a taxa cai, a economia aquece e estimular o consumo no mercado.
A Selic também responde à porcentagem de juros que deve ser paga aos bancos quando você realiza um financiamento ou empréstimo. Além disso, ela está diretamente relacionada aos investimentos de renda fixa, impactando no valor que um investidor vai receber por algum título que adquiriu.






