O dólar encerrou esta “super quarta” (10) em alta de 0,60%, a R$ 5,47, influenciado pelo aumento da percepção de risco doméstico após oscilações no cenário político envolvendo a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República.
O movimento ocorre em um momento de maior volatilidade, mesmo após o Federal Reserve (Fed) anunciar corte de juros nos Estados Unidos. Foi o maior nível de encerramento desde 14 de outubro.
A moeda americana até perdeu força no exterior à tarde, após o Fed reduzir a taxa básica americana em 0,25 ponto percentual (p.p.). Mesmo assim, o real não acompanhou o movimento de valorização de outras moedas emergentes.
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A percepção de risco aumentou com informações sobre a possível retirada da candidatura de Flávio Bolsonaro, que condicionou sua decisão à aprovação de mudanças legislativas relacionadas a temas sensíveis ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Pressões no cenário eleitoral
O projeto de lei da Dosimetria — aprovado na madrugada pela Câmara e encaminhado ao Senado — não elimina condenações, mas reduz penas relacionadas a episódios como a tentativa de golpe de Estado. Analistas avaliam que a manutenção da candidatura de Flávio Bolsonaro mantém o quadro eleitoral incerto.
Para parte do mercado, a presença de Flávio Bolsonaro fragmenta o campo da direita e reduz o espaço de nomes como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), visto como defensor de um ajuste fiscal estrutural a partir de 2027.
Dólar perde força no exterior
No exterior, o índice DXY — que mede o dólar contra uma cesta de moedas fortes — caiu para abaixo de 99 pontos, renovando mínimas intradiárias na casa dos 98,600 pontos. Confira o gráfico DXY (em tempo real):
O dólar também perdeu força frente à maioria das moedas emergentes e de países exportadores de commodities.
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A decisão do Fed não foi unânime. O diretor Stephen Miran votou por corte maior, de 0,5 p.p., enquanto dois dirigentes preferiram manter a taxa inalterada.
Jerome Powell afirmou que a política monetária já se encontra próxima de um nível considerado neutro e que o banco central dos EUA deve pausar temporariamente os cortes.
Copom mantém juros no Brasil
No Brasil, após o fechamento do mercado, o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a taxa básica de juros (Selic) em 15% ao ano, como esperado pelo mercado.



