O número de brasileiros que apostaram em produtos de renda fixa disparou 18% no terceiro trimestre, passando de 86,1 milhões de investidores em 2024 para 101,4 milhões em 2025, segundo a pesquisa “Uma análise da evolução dos investidores na B3”, divulgada pela Folha de S.Paulo nesta sexta-feira (12).
Esse aumento reflete a migração de uma parcela significativa de investidores para CDBs (Certificados de Depósito Bancário) ou e RDBs (Recibos de Depósito Bancário), títulos que dominam a preferência nacional e geram um expressivo aumento no valor total registrado em custódia pela Bolsa.
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Custódia da renda fixa atinge R$ 2,9 trilhões
Segundo a pesquisa, o valor em custódia dessa classe de investimentos cresceu 28% no terceiro trimestre, passando de R$ 2,3 trilhões em 2024 para R$ 2,9 trilhões em 2025.
Embora não comercialize ativos de renda fixa, a B3 é responsável pela custódia, registro e liquidação da maior parte das operações do sistema financeiro.
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Na prática, um CDB ou um título do Tesouro adquirido por um investidor em um banco ou corretora fica registrado na B3, o que permite compilar e acompanhar a evolução desses ativos.
Bancos digitais impulsionam renda fixa
Felipe Paiva, diretor de Relacionamento com Clientes, Pessoas Físicas e Educação da B3, atribui o avanço da renda fixa no período às mudanças promovidas por bancos digitais.
“Quando as instituições passaram a oferecer produtos simples, como ‘cofrinhos’ e ‘caixinhas’, isso atraiu milhões de pessoas para CDBs e RDBs, e esses registros passaram a entrar nos nossos dados”, explica.
O atual cenário de política monetária também favorece a renda fixa com a Selic em 15% ao ano, patamar que fortalece o retorno de títulos pós-fixados e papéis indexados à inflação.
Nesta quarta-feira (10), o Banco Central (BC) manteve a Selic em 15% ao ano pela quarta vez consecutiva, encerrando 2025 no maior nível em quase duas décadas.
Economistas consultados pelo BC projetam a taxa em 12,25% ao final de 2026.
Tesouro Direto acompanha movimento de alta
O Tesouro Direto acompanhou o movimento de alta, registrando um crescimento de 20% no trimestre. O total de investidores passou de 2,7 milhões no terceiro trimestre de 2024 para 3,2 milhões em 2025.
O valor em custódia subiu 35%, saindo de R$ 136,3 bilhões para R$ 183,6 bilhões.
Renda variável permanece estável em meio aos juros altos
No terceiro trimestre, o número de investidores Pessoa Física em renda variável aumentou 3%, passando de 5,3 milhões em 2024 para 5,4 milhões em 2025, dentro do nível de estabilidade.
O valor em custódia avançou 5%, de R$ 576 bilhões para R$ 602 bilhões.
No segmento de ações à vista, houve aumento de 5% no total de investidores, que passou de 4 milhões para 4,1 milhões. O valor investido cresceu 11%, de R$ 347,7 bilhões para R$ 387,7 bilhões.
Para Paiva, o fato de não ter havido queda nessa base já é relevante: “Mesmo com juros a 15%, o saldo mensal [da renda variável] continua positivo. Ou seja, há diversificação no portfólio dos investidores brasileiros”, afirma.
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No início de dezembro, o Ibovespa atingiu 164.551 pontos, renovando recordes sucessivos intradia e nos fechamentos, movimento interrompido pelo aumento da cautela do mercado relacionada ao cenário eleitoral, após Flávio Bolsonaro anunciar que seria candidato à presidência em 2026.
Segundo Paiva, “os investidores seguem colocando recursos em ações, BDRs e fundos imobiliários, e os recordes do Ibovespa mostram que as pessoas continuam buscando oportunidades na renda variável”.











