A inflação medida pelo índice de preços ao consumidor (CPI) dos Estados Unidos subiu 0,3% de novembro para dezembro, segundo dados divulgados nesta terça-feira (13) pelo Departamento do Trabalho do país.
Em 2025, o CPI avançou 2,7%, menor desde julho. Os números vieram em linha com as expectativas de analistas consultados pelo Projeções Broadcast.
O levantamento reuniu dados de setembro a novembro e não incluiu informações específicas de outubro. A ausência ocorreu por conta do shutdown, que afetou a divulgação de alguns indicadores econômicos.
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Na avaliação de Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, a inflação norte-americana ficou praticamente em linha com as projeções, mas a divulgação trouxe uma leitura mais detalhada do comportamento dos preços.
Para ele, a divulgação apresentou a decomposição por categorias, permitindo identificar os principais vetores de pressão inflacionária, como o preço de alimentos, que subiram 0,7% em dezembro — um dos maiores avanços dos últimos meses.
Outro destaque foi a inflação de moradia, que registrou alta de 0,4% no mês, principal responsável por puxar o índice cheio em dezembro, segundo dados do Bureau of Labor Statistics (BLS).
Já William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, afirma que o Federal Reserve (Fed) que apesar da reação positiva dos mercados, com alta dos futuros de ações e recuo dos rendimentos dos Treasuries, o cenário ainda não sustenta cortes imediatos na taxa básica de juros.
“Os dados ajudam a reforçar a tendência de desaceleração inflacionária, mas não resolvem as incertezas sobre o ritmo e o momento de uma flexibilização monetária mais ampla”, completa.
Núcleo do CPI
O núcleo do CPI — que exclui preços de alimentos e energia, considerados mais voláteis — subiu 0,2% em dezembro na comparação mensal. O resultado ficou abaixo da expectativa do mercado, que projetava alta de 0,35%.
Em 2025, o núcleo do índice avançou 2,6% anualmente, o nível mais baixo desde 2021. A divulgação também veio abaixo da projeção de 2,7%.
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Expectativas sobre juros nos EUA
A divulgação da inflação não alterou as expectativas para a próxima reunião do Fed, com 95% do mercado enxergando uma manutenção das taxas no intervalo entre 3,5% e 3,75% ao ano, segundo monitoramento do CME Group (confira o gráfico abaixo).
Para março, a aposta também é de manutenção (72,7%). A projeção de um corte nos juros só volta a ser majoritária no final do primeiro semestre, na reunião de junho, segundo o monitoramento. Nesta, 69,7% vê uma redução.
O mercado de títulos respirou aliviado esta manhã, com os números da inflação do IPC (Índice de Preços ao Consumidor) ligeiramente mais fracos do que o esperado. Este foi o primeiro número de inflação não distorcido desde setembro, devido à paralisação do governo em outubro e novembro. Em relação ao IPC geral, o mercado esperava cerca de 0,40%, mas o índice ficou em 0,31%, permitindo que a variação anual caísse para 2,65%. Este é o menor valor anual desde maio de 2025.
Em relação ao núcleo do IPC, a expectativa do mercado era um pouco menor, de 0,35%, e o índice ficou em 0,24%, permitindo que a variação anual permanecesse em 2,6%. Isso indica ao mercado que a inflação continua a cair, embora em um ritmo bastante lento. Embora tenha havido uma recuperação no Aluguel Equivalente ao Proprietário (OER, na sigla em inglês) para 0,31%, isso ocorreu após três meses de números interpolados extremamente baixos devido à falta de dados durante a paralisação. Isso reduziu a taxa anual para 3,3%, o menor valor desde outubro de 2021. Acreditamos que a taxa de juros geral continuará a cair, dada a atual fragilidade do mercado imobiliário, que precipita uma inflação geral ainda menor. Embora as taxas de juros tenham inicialmente subido com essa notícia, desde então recuaram e permanecem praticamente inalteradas em toda a curva de rendimento. Acreditamos que o mercado entende que um corte em janeiro está descartado e aguardamos outros dados econômicos antes de tirar conclusões importantes. Por exemplo, os dados de inflação de janeiro costumam vir em alta devido à virada do ano. Em resumo, o mercado de títulos não apresentou nenhuma surpresa nesta manhã. Vamos manter a calma, ter paciência e aguardar outros dados confiáveis antes de alterarmos nossas projeções gerais.
