O avanço no uso de remédios para emagrecer nos Estados Unidos pode ajudar a reduzir os custos operacionais das companhias aéreas, segundo analistas do banco de investimentos Jefferies. Para eles, a perda de peso influenciará no consumo de combustível das aeronaves.
De acordo com a CNBC, a instituição afirmou em relatório que, a crescente popularização dos medicamentos da classe GLP-1 — base de medicamentos como Ozempic, Mounjaro e Wegovy — agora também disponíveis em formato de comprimido, tende a ampliar a adesão aos tratamentos contra obesidade.
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Com isso, uma redução gradual no peso médio dos passageiros poderia contribuir para ganhos de eficiência no setor aéreo.
Impacto nas companhias aéreas dos EUA
O combustível é o maior custo das companhias aéreas. A Jefferies afirma que uma queda de 10% no peso médio dos passageiros poderia resultar em uma redução de cerca de 2% no peso total da aeronave.
Esse ajuste, segundo o banco, pode gerar até 1,5% de economia nos gastos com combustível e elevar o lucro por ação em até 4%.
“Uma sociedade mais esguia equivale a menor consumo de combustível. As companhias aéreas têm histórico de vigilância rigorosa sobre o peso, desde itens de catering até materiais impressos”, afirmou a Jefferies em relatório.
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A análise considera principalmente as maiores companhias aéreas americanas: American Airlines, Delta Air Lines, United Airlines e Southwest Airlines. Juntas, essas empresas devem consumir cerca de 16 bilhões de galões de combustível em 2026, a um preço médio estimado de US$ 2,41 por galão.
Esse volume representa uma despesa próxima de US$ 39 bilhões, o equivalente a cerca de 19% dos custos operacionais totais do grupo.
Para a Jefferies, uma redução de 2% no peso médio dos passageiros poderia gerar ganhos no lucro por ação de aproximadamente 2,8% na Delta, 3,5% na United, 4,2% na Southwest e até 11,7% na American, que tem maior sensibilidade aos custos de combustível.
Como o peso influencia os voos?
Fabricantes como a Boeing tratam o peso como variável central na eficiência das aeronaves. Cada avião possui um peso operacional vazio fixo, e a margem restante até o peso máximo de decolagem é distribuída entre combustível, passageiros, bagagens e carga.
A Jefferies usou o modelo 737 Max 8 como exemplo. Em uma configuração típica, os passageiros representam cerca de 32 mil libras (aproximadamente 14,51 toneladas) do peso total.
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Uma redução de 10% no peso médio dos passageiros significaria cerca de 3.200 libras (1,45 tonelada) a menos, o equivalente a aproximadamente 2% do peso máximo de decolagem, com impacto relevante no consumo de combustível ao longo de milhares de voos por ano.
Cenário no Brasil
No Brasil, a demanda por canetas emagrecedoras também cresceu de forma expressiva em 2025. Os últimos dados da balança comercial brasileira mostram que o país importou US$ 1,669 bilhão em medicamentos como Ozempic e Mounjaro, superando a importação de produtos como celulares, azeite de oliva e salmão.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a importação desses medicamentos avançou 88% em um ano. Como não há produção nacional, o aumento da demanda se reflete diretamente no comércio exterior.
A Dinamarca, sede da Novo Nordisk, respondeu por cerca de 44% das importações, enquanto os Estados Unidos já representam 35,6%, impulsionados pelo crescimento da Eli Lilly.

