O dólar fechou esta terça-feira (27) em queda de 1,38%, a R$ 5,20, terminando a sessão no menor nível desde o fim de maio de 2024. A desvalorização ocorreu em meio ao enfraquecimento global da moeda americana e à entrada de recursos estrangeiros na bolsa local, segundo operadores.
O movimento coincidiu com a alta superior a 2% nos preços do petróleo no mercado internacional, fator que tende a beneficiar moedas de países exportadores de commodities, como o Brasil.
Na avaliação de participantes do mercado, a redução da exposição a ativos americanos tem favorecido moedas e bolsas de países emergentes. O movimento ocorre diante das incertezas relacionadas à política econômica e comercial do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
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Além disso, o impasse orçamentário no país e as discussões sobre política migratória reacenderam o risco de uma nova paralisação do governo americano, conhecida como shutdown.
IPCA-15 abaixo do esperado reforça apostas sobre a Selic
No Brasil, o IPCA-15 de janeiro veio abaixo das expectativas do mercado. O resultado reforçou apostas de que a taxa básica de juros (Selic) possa começar a ser reduzida a partir de março. A expectativa em torno da chamada “super quarta” também contribuiu para a valorização do real, com a previsão de manutenção das taxas em ambos os países.
A manutenção de um amplo diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos favorece operações de carry trade. Nesse tipo de estratégia, investidores tomam recursos em países com juros baixos para aplicar em mercados que oferecem retornos maiores.
Esse cenário, somado ao apetite por ações brasileiras, tem impulsionado o fluxo estrangeiro para a B3. O saldo de investimentos externos na bolsa já supera R$ 15,7 bilhões no acumulado do ano.
Cenário internacional pressiona o dólar
O índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, recuou ao menor nível desde fevereiro de 2022. Euro e libra atingiram os maiores patamares frente ao dólar desde 2021.
Confira o gráfico DXY (em tempo real):
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O iene japonês também avançou após declarações da ministra das Finanças do Japão, Satsuki Katayama, que afirmou que o governo poderá atuar no mercado de câmbio, se necessário, e manterá contato próximo com os Estados Unidos sobre o tema.
Atenção do mercado ao Fed e à política monetária dos EUA
Segundo reportagem do Wall Street Journal, o Federal Reserve de Nova York procurou contrapartes comerciais para verificar condições do mercado de câmbio, o que gerou especulações sobre possíveis intervenções coordenadas entre Estados Unidos e Japão para apoiar o iene.
À tarde, Donald Trump voltou a defender juros mais baixos nos Estados Unidos e afirmou que o dólar está em um “ótimo valor”. O mercado espera que o Federal Reserve anuncie a manutenção da taxa básica entre 3,50% e 3,75% ao ano, após três cortes consecutivos de 25 pontos-base.
Há ainda atenção às pressões políticas sobre o Fed e à possibilidade de interferência na condução da política monetária, diante do fim do mandato do atual presidente da instituição, Jerome Powell, previsto para maio.


