Os contratos futuros de café registraram forte alta nesta terça-feira (27), em meio a preocupações com a oferta global e ao impacto da valorização do real frente ao dólar. O movimento ocorreu apesar da abertura com “gap” — diferença entre o preço de fechamento e a abertura do dia seguinte — observada nos mercados.
Segundo Guto Gioielli, fundador e analista do Portal das Commodities, o café arábica superou o patamar técnico de 172 centavos de dólar por libra-peso, sinal acompanhado por investidores como possível indicativo de recuperação de preços, caso seja confirmado no fechamento.
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Confira a análise completa:
Oferta restrita sustenta café
Segundo agentes do mercado, a exportação de café apresentou volume reduzido recentemente. Dois fatores explicam esse movimento: estoques baixos e retenção do produto por parte dos produtores.
A valorização do real também influencia os preços. Quando a moeda brasileira se fortalece, o café fica mais caro em dólar, o que tende a limitar a demanda externa. Ainda assim, a oferta restrita tem sustentado as cotações no mercado internacional.
No segmento de café robusta, os contratos negociados no exterior chegaram a US$ 4.312 por tonelada, com o vencimento mais líquido concentrado em março, após o encerramento dos contratos anteriores.
Milho recua com expectativa de safra elevada
Em contraste com o café, os contratos futuros de milho registraram queda. O mercado reage à perspectiva de produção elevada e à melhora das condições climáticas na América do Sul.
O contrato mais negociado encerrou próximo da mínima do dia, refletindo a pressão vendedora. Dados da Commodity Futures Trading Commission (CFTC) indicam aumento das posições vendidas, ou seja, apostas na queda dos preços por parte de investidores institucionais.
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Analistas avaliam que, no curto prazo, o milho pode oscilar em uma faixa mais estreita, diante da combinação de oferta abundante e demanda já precificada.
Soja segue lateralizada
A soja, por sua vez, permanece em movimento lateral. Os preços encontram resistência técnica próxima de US$ 10,60 por bushel, enquanto o mercado aguarda novos dados sobre demanda global e ritmo de exportações.
