O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicou nesta sexta-feira (30) Kevin Warsh, ex-diretor do Federal Reserve (Fed), para suceder Jerome Powell no comando do banco central americano.
O anúncio foi feito em publicação na rede Truth Social e marca mais um movimento de tensão entre a Casa Branca e a atual condução da política monetária dos EUA.
“Conheço Kevin há muito tempo e não tenho dúvidas de que ele será lembrado como um dos grandes presidentes do Fed”, escreveu Trump, ao confirmar a indicação.
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O nome de Warsh ainda precisa ser aprovado pelo Senado americano para que ele assuma o cargo a partir de maio, quando termina o mandato de Powell como presidente da instituição.
Histórico de Kevin Warsh no Fed e relação com a crise de 2008
Kevin Warsh integrou o conselho do Fed entre 2006 e 2011, período que incluiu a crise financeira global de 2008. À época, participou das decisões de emergência que envolveram injeção de liquidez no sistema financeiro e programas de estímulo monetário, conhecidos como quantitative easing — expansão do balanço do banco central para estimular a economia.
Posteriormente, Warsh passou a criticar esse tipo de política, defendendo um Fed mais focado na preservação do valor da moeda e no controle da inflação. Essa postura o tornou conhecido como um formulador de visão mais conservadora sobre a atuação do banco central.
Mercado vê nome com experiência institucional
Para William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, a escolha tende a ser bem recebida pelos mercados. Segundo ele, Warsh combina experiência técnica e histórico de independência institucional.
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“É um nome com passagem pelo Fed, que participou da crise de 2008 e depois se tornou crítico da expansão excessiva do banco central. Isso ajuda a preservar a credibilidade da política monetária”, afirmou.
Castro Alves avalia ainda que Warsh defende reformas internas no Fed, com redução de burocracia e revisão do papel da autoridade monetária, mas sem romper com o modelo de decisões colegiadas.
Política monetária segue decisão colegiada
Apesar da indicação feita por Trump, analistas destacam que o presidente do Fed não define sozinho a taxa básica de juros dos EUA. As decisões são tomadas pelo Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), formado por membros do conselho e presidentes regionais.
Segundo o economista-chefe da Genial Investimentos, José Márcio Camargo, a chegada de Warsh não implica, automaticamente, uma mudança brusca na política monetária.
“Quem define a taxa de juros é um colegiado. O presidente do Fed não tem poder absoluto para impor sua visão. As decisões continuam baseadas em dados de inflação, emprego e atividade econômica”, explicou.
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Powell pode permanecer no conselho
Embora o mandato de Jerome Powell como presidente termine em maio, ele pode seguir como membro do conselho do Fed até 2028. Caso opte por permanecer, isso limitaria a capacidade de Trump de alterar a composição majoritária da diretoria no curto prazo.
Powell, alvo recorrente de críticas do presidente americano, evitou comentar publicamente se deixará o cargo após o fim do mandato como chair. Em coletiva na quarta-feira (28) após estabilizar os juros, ele aconselhou seu sucessor a manter distância de pressões políticas.
Outros nomes ficaram fora da disputa
Antes da confirmação de Warsh, o mercado especulava outros possíveis indicados, como Kevin Hassett, atual diretor do Conselho Econômico Nacional, Christopher Waller, diretor do Fed, e Rick Rieder, executivo da BlackRock. Trump afirmou que Hassett chegou a ser considerado, mas preferiu mantê-lo na Casa Branca.
Warsh também liderava as apostas em plataformas de mercado, como a Polymarket, nas horas que antecederam o anúncio oficial.






