As ações da Patria Investimentos (PAX), listadas na Nasdaq, operam em queda de 9% nos últimos dias, reagindo ao relatório da casa de análises de Londres Snowcap, que descreve o modelo de negócios da gestora como insustentável no médio prazo.
A Snowcap é uma research que atua como short-seller, ou seja, que costuma operar vendida na Bolsa, apostando na queda das ações das empresas nas quais enxerga inconsistências.
A casa de análise afirmou ter montado uma posição vendida no papel da Patria após notar que a companhia estaria superavaliando ativos de seus principais fundos de private equity e infraestrutura, o que inflaria artificialmente o valor patrimonial (NAV) e os retornos reportados aos investidores.
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Segundo a Snowcap, a gestora administra cerca de US$ 50 bilhões em ativos, mas enfrenta dificuldades crescentes para gerar caixa e realizar desinvestimentos relevantes.
Nesta segunda-feira (2), os papéis PAX sobem 1,30%, aos US$ 14,80, amenizando as perdas dos últimos cinco dias, que ultrapassavam os 10%.
Na semana passada, em comunicado ao mercado, o Patria afirmou estar ciente do relatório e analisará cuidadosamente as alegações, mas considera que diversos pontos representam uma caracterização equivocada de seus negócios. A gestora, no entanto, não se aprofundou, por estar em período de silêncio pré-divulgação de balanço — marcado para esta terça-feira (3).
Ponto central do relatório da Snowcap Research
Um dos pontos centrais do documento é a concentração de valor em poucos investimentos. De acordo com a análise, mais de 50% do valor não realizado de alguns fundos da Patria estaria concentrado em um único ativo, a Elfa Medicamentos, distribuidora farmacêutica que enfrenta dificuldades financeiras.
A Snowcap afirma que a Patria avalia a Elfa a cerca de 15 vezes o múltiplo EV/EBITDA, enquanto empresas comparáveis negociadas em bolsa operam entre 4 e 6 vezes. Ao mesmo tempo, títulos de dívida da Elfa estariam sendo negociados a cerca de US$ 0,50, sinal de estresse financeiro.
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Injeções de capital da Patria
O relatório também aponta que a Patria teria feito injeções recorrentes de capital em empresas do portfólio por meio de estruturas fora do balanço, como veículos específicos (SPVs) e garantias em nível de fundo. Segundo a Snowcap, essa prática aumentaria o risco para os cotistas ao postergar o reconhecimento de perdas.
Casos semelhantes são citados em outros ativos relevantes, como Athena Saúde, Superfrio e Essentia Energia, todos avaliados, segundo o relatório, com múltiplos significativamente acima dos praticados pelo mercado, apesar de desempenho operacional fraco e necessidade de recapitalizações.
Outro ponto destacado é a baixa capacidade de realização dos investimentos. A Snowcap afirma que fundos lançados há mais de uma década retornaram apenas uma fração do capital investido, abaixo do padrão da indústria global de private equity.
Segundo o relatório, parte relevante das taxas de performance recentes teria origem em transferências de ativos entre fundos da próprio Pátria, o que levanta questionamentos sobre a recorrência dos resultados. A casa avalia ainda que a empresa pode enfrentar dificuldade para sustentar dividendos sem novos cortes ou diluição dos acionistas.
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Aquisição recente não altera leitura de curto prazo
Mesmo com o noticiário negativo, a Patria anunciou nesta segunda a aquisição da Share, empresa de moradia estudantil, consolidando sua atuação no segmento por meio de fundos imobiliários.
A Share era a principal concorrente da Patria no Brasil, mas passou por dificuldades financeiras. Entre os sócios da companhia estão: a família Mitre (dona da incorporadora Mitre Realty), a Aguassanta (veículo de investimento da família Ometto, do grupo Cosan) e a Nova Milano (da família Grendene)
A operação não teve valores divulgados e foi realizada em parceria com a Grosvenor, sócia do grupo.







