As vendas do varejo fecharam o ano de 2025 com crescimento acumulado de 1,6%, apesar da leve queda registrada em dezembro, de 0,4% frente ao mês anterior, conforme dados da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (13).
O resultado revela uma perda de ritmo do setor, após registrar avanço de 4,1% em 2024. Ainda assim, o varejo manteve expansão semelhante à observada em anos anteriores: 1,7% em 2023, 1% em 2022 e 1,4% em 2021.
Segundo o gerente da pesquisa, Cristiano Santos, a alta do ano foi disseminada entre as atividades.
“O comercio varejista fecha 2025 com crescimento em relação a 2024, mas com uma amplitude menor. No ano passado, o acumulado de ganhos chegou a 4,1%, um crescimento bem forte. Já 2025 fecha com 1,6%, mais ou menos no mesmo nível de crescimento registrado nos anos anteriores. Em 2023 havia sido 1,7%, 2022 1,0% e 2021 1,4%. O crescimento de 2025 foi razoavelmente distribuído, puxado pela farmacêutica, por móveis e eletrodomésticos e equipamentos para escritório, informática e comunicação, essa última fortemente influenciada pela forte desvalorização do dólar frente ao real, que ajudou nas vendas de produtos eletrônicos importados, como celulares e laptops”, afirmou.
Varejo ampliado fica próximo da estabilidade
No varejo ampliado que inclui, além do comércio tradicional, as atividades de veículos e motos, material de construção e atacado especializado em produtos alimentícios, bebidas e fumo, o setor acumulou variação positiva de 0,1% No fechamento de 2025.
Na comparação mensal, em dezembro as vendas caíram 1,2%, após registrarem alta de 0,6% no mês anterior.
O gerente da pesquisa avalia que “o varejo ampliado não experienciou expansão em 2025 em relação a 2024, variando apenas 0,1%. Isso se deve às perdas de setores importantes, como de revenda de veículos, motos, partes e peças (que havia tido um 2024 muito forte) e atacado especializado em produtos alimentícios, bebidas e fumo, que teve queda na distribuição de cereais e leguminosas, produtos ofertados normalmente nos Ceasas”, disse.
Atividades do varejo que mais cresceram em 2025
O economista Maykon Douglas avalia que ao longo do ano de 2025, o varejo registrou uma performance em “dois trilhos”, em que a ponta mais sensível ao crédito saiu perdendo devido ao aperto monetário em curso, apesar de alguns resultados positivos em sondagens anteriores.
Essa heterogeneidade, segundo o especialista, deve continuar no curto prazo, devido ao efeito defasado dos juros elevados e às medidas de expansão da renda que o governo deve colocar em prática na primeira metade deste ano.
Nesta leitura, sete dos onze ramos pesquisados no varejo ampliado fecharam o ano com resultado positivo:
- Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria: 4,5%
- Móveis e eletrodomésticos: 4,5%
- Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação: 4,1%
- Outros artigos de uso pessoal e doméstico: 2,2%
- Tecidos, vestuário e calçados: 1,3%
- Hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo: 0,8%
- Combustíveis e lubrificantes: 0,6%
Por outro lado, quatro atividades encerraram 2025 em queda:
- Veículos e motos, partes e peças: -2,9%
- Atacado especializado em produtos alimentícios, bebidas e fumo: -2,3%
- Livros, jornais, revistas e papelaria: -0,9%
- Material de construção: -0,2%
Dezembro teve retração em seis setores
A queda de 0,4% do varejo restrito em dezembro veio depois da alta de 1% observada no mês anterior. Houve recuo em seis dos oito grupos:
- Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria: -5,1%
- Livros, jornais, revistas e papelaria: -2,0%
- Outros artigos de uso pessoal e doméstico: -1,8%
- Móveis e eletrodomésticos: -0,7%
- Tecidos, vestuário e calçados: -0,4%
- Hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo: -0,3%
Os resultados positivos ficaram com equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (6,0%) e combustíveis e lubrificantes (0,3%).
No varejo ampliado, veículos e motos, partes e peças caíram 2,4%, enquanto material de construção recuou 2,8%.
- Decidir melhor importa mais do que escolher ativos. Entenda como fazer isso na Masterclass gratuita Virada Financeira 2026.
Maioria dos estados teve queda nas vendas do varejo
Na passagem de novembro para dezembro, 22 dos 27 estados tiveram retração nas vendas do varejo restrito. Os destaques negativos foram Rondônia (-10,2%), Roraima (-6,4%) e Espírito Santo (-5,9%).
No sentido oposto, entre os cinco estados que apresentaram crescimento, os maiores avanços foram registrados no Rio de Janeiro (1,9%), na Bahia (1,8%) e no Distrito Federal (1,6%).
No varejo ampliado, 23 unidades registraram queda, enquanto Rio de Janeiro (1,9%), Bahia (1,3%) e Distrito Federal (0,6%) ficaram com as variações positivas.











