A escalada do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã provocou forte volatilidade nos mercados de commodities nesta segunda-feira (3). O petróleo abriu em alta, enquanto milho e soja chegaram a subir na abertura. Ao longo do pregão, porém, os ganhos perderam força.
Segundo análise de Guto Gioielli, analista CNPI e fundador do Portal das Commodities, o mercado reagiu ao risco geopolítico, mas não houve sustentação de tendência.
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“Muita gente acreditou pela manhã que milho e soja iam subir muito, mas os grãos acabaram passando por uma forte realização”, disse Gioielli. Confira a análise na íntegra abaixo:
Petróleo dispara com risco no Estreito de Ormuz
O contrato mais líquido do petróleo nos Estados Unidos chegou a registrar alta superior a 10% na máxima intradiária, impulsionado pelo temor de interrupções no fornecimento no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de energia.
Apesar da abertura com gap — quando o ativo inicia o pregão acima do fechamento anterior — parte da alta foi devolvida ao longo do dia. O mercado passou a avaliar a duração do conflito e a possibilidade de estabilização em algumas semanas.
De acordo com a análise, o petróleo pode oscilar entre US$ 80 e US$ 100, dependendo da evolução do conflito e da logística na região.
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Milho e soja devolvem ganhos
No mercado agrícola, milho e soja também abriram em alta, refletindo a percepção inicial de risco global. No entanto, ambos encerraram o pregão em queda.
O milho recuou após tentativa de recuperação das perdas acumuladas desde o relatório anterior do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). A pressão veio da combinação entre oferta global elevada, início da colheita na Argentina e melhora climática no país.
Já a soja caiu mesmo após o avanço do petróleo e do óleo de soja. A valorização do óleo tende a estimular o esmagamento, processo industrial que transforma o grão em óleo e farelo. Com maior produção de farelo, a oferta aumenta e o preço do subproduto recua, o que influencia a formação do preço final da soja.
Frete mais caro afeta exportações de commodities
Outro ponto levantado na análise foi o impacto logístico da guerra. O encarecimento dos fretes marítimos pode prejudicar exportações, principalmente de carne bovina, ao elevar o custo final do produto para compradores internacionais.
O Irã é citado como um dos compradores relevantes de commodities brasileiras. Eventuais restrições comerciais ou dificuldades logísticas podem afetar fluxos de exportação.
No caso do café, o efeito pode ser distinto. A alta do frete tende a elevar o preço final do produto, contribuindo para ajustes nas cotações internacionais.
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Boi gordo recua apesar do dólar
O boi gordo iniciou o mês em queda, mesmo com o dólar Ptax avançando cerca de 1%. A valorização da moeda norte-americana costuma favorecer exportadores, mas o mercado reagiu a fatores internos, como aumento pontual de oferta.
Segundo a análise, o conflito gera movimentos abruptos no curto prazo, mas o mercado pode estar precificando um evento de duração limitada.
Volatilidade sem tendência definida nas commodities agrícolas
Para Guto Gioielli, o atual cenário indica volatilidade, mas não um ciclo consistente de alta nas commodities agrícolas. O mercado avalia não apenas o risco geopolítico, mas também a demanda global, estoques e política monetária.
Com juros elevados em diversas economias e desaceleração da atividade em países como a China, o fluxo de capital para matérias-primas tende a ser mais seletivo.
A evolução do conflito no Oriente Médio seguirá no radar. No curto prazo, o comportamento dos preços dependerá da duração das tensões e de eventuais impactos diretos sobre oferta e logística global.



